Zapping Crítico #3 – Ficção vs. Realidade

Gostamos de ficção porque nos mostra a realidade de forma estimulante, quase estilizada, instigando-nos constantemente a curiosidade. Somos bisbilhoteiros! No entanto, quando a realidade, só por si, consegue criar momentos absolutamente imperdíveis do ponto de vista de um bisbilhoteiro (ou, se vos fizer sentir melhor o uso de um estrangeirismo, um voyeur), para quê as preocupações com argumentos, guiões e divas actores? É disso mesmo de que pretendo falar: reality shows.

Dentro do formato, já vos falei anteriormente de dois dos meus favoritos: “The Amazing Race” (as minhas críticas aos episódios semanais lêem-se aqui) e “Survivor”. Contudo, e porque recentemente fiz óptimos achados, venho-vos sugerir mais duas formas de se divertirem à brava com a realidade.

Falo de “Man vs. Wild” (“Sobrevivência”, em português) e de “Hell’s Kitchen”. O primeiro está em exibição no Discovery Channel várias vezes ao dia, enquanto o segundo podem assistir de segunda a sexta na Sic Radical, pelas 22:30h. São programas muito diferentes, mas cujo sucesso recai no carisma das suas duas figuras centrais: o aventureiro Bear Grylls e o temível chef Ramsay.

“Man vs. Wild” atrai-me sobretudo por evocar um lado humano que é cada vez menos considerado nos dias de modernidade e comodidade em que vivemos: a luta pela sobrevivência. Somos cada vez menos postos à prova fisicamente, e rapidamente morreríamos sem a civilização, num ambiente desértico e com recursos escassos. Bear Grylls luta contra esta tendência e ensina-nos tudo aquilo que precisamos saber se alguma vez precisarmos de resistir à privação do bem-estar urbano. Em todos os episódios, Bear é abandonado num local remoto do globo, que tanto pode ser uma floresta africana, um deserto ou a tundra árctica, sendo o objectivo a sobrevivência nestes ambientes durante um período de tempo considerável, sem quaisquer tipo de recursos. Bear Grylls só se tem a si próprio e as pessoas encarregadas de o filmar. Não vos parece suficientemente atractivo? Pois esperem até vê-lo comer lagartas e escaravelhos, dormir em cima de árvores, dissecar um boi, comer olhos de animais, ingerir urina, e muito mais! Pode-vos parecer nojento, mas confesso que, no fim de todos os episódios, não só me apetece saber mais alguns truques, como também eu próprio gostaria de partir à aventura. E tenho-vos a dizer que adoro conforto.

“Hell’s Kitchen” é mais um reality competition show, onde várias pessoas (agrupadas em duas equipas) lutam para chegar à final e sagrarem-se vencedoras, como chefs dignos de reconhecimento. Para quem gosta de comer, aconselha-se a visualização. Para quem gosta de competição, idem. Só quem se sente incomodado com grandes egos, falta de modos e pouco profissionalismo é que não devia ver este programa. Isto porque Gordon Ramsay, o único responsável por avaliar constantemente as equipas e por coordená-las nas noites em que abrem as portas do restaurante, é um homem com uma falta de paciência enorme, que explode ao mínimo contratempo. A sua abordagem é mesmo a intimidação e qualquer concorrente que se atreva a contradizê-lo pode começar a despedir-se dos restantes e fazer as malas. São frequentes os twists e as confrontações, muita gritaria e cinismo! Delicioso.

Espreitem!

Entretanto, continuo na companhia de “The Sopranos”. Cheguei àquele que é, para mim, um dos melhores – senão mesmo o melhor – episódio da série que já vi: “Long Term Parking”. Não acredito na pouca sorte da Adriana. Uma personagem extremamente querida por todos, por inúmeras vezes vítima às mãos de Christopher, pessoa com quem mantinha um relacionamento que acabou por a tornar numa informante do FBI. Há duas temporadas que esta história durava e finalmente chegou a altura de a concluir, de forma chocante. Fiquei revoltado.

“Fringe”, por outro lado, continua com o padrão de ultimamente: episódios satisfatórios com fins surpreendentes. Não percebi foi a participação quase nula do Jorge Garcia. Enfim, só sei que a Anna Torv devia receber a triplicar…

E “Shameless”? Continua irrepreensível, à medida que a trama se adensa. O aparecimento de Monica veio mexer um bocadinho na estrutura habitual e ofereceu-nos momentos emocionantes, protagonizados com bastante talento, especialmente por Emmy Rossum, a Fiona, e Jeremy Allen White, o Lip. Nem vou comentar os desempenhos de William H. Macy e Joan Cusack, porque já é escusado.

Agora, despeço-me com a informação de que vou ver o episódio de “Glee” desta semana, o “Original Song”. Já ouvi dizer que é um dos melhores da temporada. Quem já viu concorda? Depois da comédia, parto para “Survivor”, que espero que seja tão interessante como o da semana anterior, em que Russel se despediu de forma bem ridícula. Adorei! Espero ser surpreendido outra vez. É certo que no próximo “Zapping Crítico” as duas terão um espaço aqui reservado para comentário. Até daqui a quinze dias!

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