Monday’s Morning Mirror #2

Após passar pela falta de dramas em televisão aberta no 1º Monday’s Morning Mirror, desta vez falemos dos prazos de validade. Prontos? Vamos lá embora…

Indo ao Wikipédia, lê-se que “prazo de validade é o tempo que os produtos podem ser armazenados, durante o qual a qualidade definida de uma determinada proporção das mercadorias permanece aceitável ao abrigo do esperado”. Transcrevendo para o mundo das séries, o conceito é igual. Ou seja, para este marmanjo existe, para uma série, um prazo de validade, mais ou menos definido. Por exemplo, podemos ter iogurtes com dia marcado ou latas de atum, só com mês e ano longínquo. Depende de série para série.

E porquê? Porque, no mais básico de uma série, ela é um conjunto de interacções de personagens. E aqui, em personagens, coloco também os mortos que aparecem em séries policiais, os assassinos que também ajudam no crime ou os doentes que aparecem em séries médicas. A interacção entre todos estes elementos é que faz, no fundo, uma série. Mas, ao contrário dos seres humanos que representam, que tem nascimento e morte, as personagens nascem quase sempre a meio da sua vida. E, sendo uma representação rebuscada, apesar de crescerem, também se gastam com o tempo.

No fundo, quando as personagens se gastam, vivem para além do tempo desejável, a série perde qualidade. É lógica da batata. Isto, claro, depende de série para série, como já disse em cima. Por exemplo: os policiais têm uma margem de validade muito grande. A forma como são construídos permite-lhes “inovar” cada semana, dando ligeiras modificações que vão introduzindo cada semana. Mas até esses acabam por se gastar.

Peguemos num exemplo concreto: Lost. A série mais amada nos últimos tempos ganhou claramente com a afixação de um final/prazo de validade. Permitiu a construção das narrativas sem pressão, sabendo que o destino era ali. Final. Pensando posteriormente poder-se-á dizer que Lost duraria mais uma temporada. Acho que sim. Mas a afixação de um final para a série foi benéfico.

Do lado concreto vive uma das séries mais queridas dos últimos tempos: Chuck. Chuck vive num mundo que já não é seu, onde as personagens vivem cansadas e saturadas do ambiente que vivem. O problema da série não está na história, acredito. Está sim nas personagens, que já não se conseguem inovar, não conseguem modificar. Parecem marionetas. Não são “humanos”. Estão ligados a uma máquina que ninguém desliga.

Claro que isto é apenas uma opinião pessoal. E o prazo de validade de uma série é, antes de mais, algo que cada pessoa que assiste a mesma parece definir. Não em termos temporais, mas quando a série entra numa forma que já não lhe agrada. Está estragada. Mas, vendo bem as coisas, o melhor que poderíamos ter no mundo televisivo era a afixação do final de uma série após a primeira temporada. Seria perfeito, principalmente para séries que não vivem no mundo do caso semanal. Mas isso é sonhar muito…

PS: Séries de animação são caso diferente, porque as personagens não envelhecem. Ou melhor, a família amarela não envelhece. Isso também está muito relacionado com o DNA da série, com uma crítica à sociedade. E críticas à mesma nunca deixarão de existir…no fundo o mundo é feito por humanos e não personagens.

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2 thoughts on “Monday’s Morning Mirror #2

  1. Concordo plenamente com tudo, o primeiro nome que me vem à cabeça de um série que já passou o prazo de validade é OTH, a série está a anos luz do que foi um dia, e espero sinceramente que esta seja a sua ultima temporada. Qnt a chuck não estou ao que parece tao desiludida como tu, espero sim um final fechado e digno para a série e parece que sera nesta temporada.

  2. É das coisas que mais me deixa triste: gostar muito de uma série, investir nela emocionalmente, e depois vê-la resvalar para a mediocridade, levando personagens queridos com ela. O pior é que, enquanto assistes a esta queda, tens sempre a noção de que, se estivesses tu no comando, a série poderia ter seguido um caminho diferente e muito mais vantajoso.

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