Zapping Crítico #1

Muito boa noite/tarde/manhã. O meu nome é João Barreiros. Estreio-me aqui neste cantinho com a primeira edição da rubrica quinzenal “Zapping crítico”, onde basicamente me proponho a passar em revista (com um par de comentários e algum espaço para divagações) os episódios das mais diversas séries de televisão (actuais ou não) que tenho vindo a assistir. Naturalmente, o texto contém SPOILERS para aqueles que não se encontram o mais actualizados possível em relação a alguma série. Espero que vos agrade. Comecemos, naturalmente, com…

“Friday Night Lights” terminou o seu percurso há uma semana atrás, qual bola de futebol caindo no relvado, após uma cruzada mais ou menos coerente por todo o campo. Houve falhas, sem dúvida (cof, segunda temporada, cof!), mas o que escolho guardar são os vários bons momentos, em que, com simplicidade e realismo, nos conseguiram emocionar. O último episódio é um exemplo perfeito do que foi é a série, ao conseguir, numa hora, combinar quase uma dezena de histórias autênticas, problemas reais, obstáculos com que qualquer um de nós se poderia deparar. Destaco, como é de esperar, o dilema de Eric e Tami sobre o futuro profissional de ambos e o pedido de casamento de Matt. Quem se atreverá a negar que os Taylors formam um dos melhores casais da televisão norte-americana? O Matt – o meu personagem preferido a seguir ao casal de protagonistas – e Julie vão pelo mesmo caminho, pelos vistos, num desfecho que me deixou perfeitamente satisfeito. Por pouco não derramei uma lágrima… “Clear Eyes, Full Hearts, Can’t Loose” – uma espécie de mantra que não se aplica simplesmente ao futebol, mas a todo um trajecto de vida. A reter.

(Mas… mas… então trouxeram o Landry de volta e só o aproveitaram numa cena? Poderiam muito bem tê-lo ao menos colocado a cruzar-se com Tyra, o seu velho amor, não?).

Simplicidade. Há de facto séries que não precisam de fogo-de-artifício, purpurinas e jovens actores a cantar (cá está: uma “indirecta” a “Glee”, só para satisfazer o dono do estaminé!) de maneira a prender o telespectador. Vejam o caso de “The Sopranos”. Estou neste momento a ver a quarta temporada e, por muito que, superficialmente, nada mude na vida de Tony Soprano e não existam cenas de acção e sangue a rodos, para dar e vender, facto é que os personagens tridimensionais, complexos, atraem-me cada vez mais. É com grande ansiedade, por exemplo, que vi, sentado no sofá, a Adrianna a ser apertada pelos agentes do FBI de tal forma que como resposta só consegue expelir um jacto de vómito! Soube-se também que a amante de Tony (com quem, descobrimos, mantinha um tipo de relação que se destinava a, inconscientemente, reproduzir a conturbada relação que tinha com a falecida mãe) se suicidou, pelo que foi curioso assistir ao sentimento de culpa do protagonista. Especialmente quando parte para a intimidação da psicóloga, outra grande personagem!

Subtileza. Como dizia um professor meu: “não queiram que vos faça a papinha toda, que vos corte o bifinho aos bocadinhos”. É esse um dos principais problemas de várias séries actuais: não deixam nada à introspecção; não deixam nada ao pensamento, nada que requeira muito esforço mental. O que vende hoje em dia são os estímulos visuais e as ideias over the top, mesmo que mal desenvolvidas. Não foi isso que “The Sopranos” nos ensinou! Mais uma ideia a reter.

E para que não me tomem como demagogo, vou já destruir alguma da minha credibilidade confessando que ainda acompanho três séries da ABC. Chocante, eu sei… A força do hábito é tramada, bem como a desocupação e o descargo de consciência… qualquer que seja o motivo, ainda assisto a “Brothers & Sisters” (está na hora de levar uma tremenda de uma machadada, correndo o risco de, se se prolongar, não restar ninguém com o apelido Walker!); “Grey’s Anatomy” (outra que não me importava que fosse cancelada – odiei a primeira metade da temporada); e “Desperate Housewives”. Esta última, porém, até me tem surpreendido. Só não gostei muito da última revelação de que a Gabby foi molestada em criança. Nenhum outro momento anterior nos deu algo a entender. Felizmente, contámos com a carcaça do padrasto de Lynette para nos fazer rir às gargalhadas.

Para além de que são as três óptimas séries para ver enquanto se faz qualquer outra coisa. Eu pego nos halteres… mas julgo que qualquer outro tipo de actividade lúdica deva resultar. Experimentem com “90210” também. Não que eu veja, não que seja irresistivelmente má e impossível de deixar de acompanhar, não que eu adore a Annalynne McCord de biquíni… não, nada disso…!

E “30 Rock”? A série regressou do hiato com uma força que me tem deixado completamente boquiaberto. O episódio da semana passada foi excelente, mais uma vez, com Jack e Avery verdadeiramente aterrorizados com a possibilidade da criança nascer em solo canadiano. A última cena, com os dois a querer pagar a estadia no hospital, foi deliciosa! Way to go!

“Fringe” tem-me desiludido ultimamente, especialmente agora, num momento crucial, onde qualquer deslize lhe será fatal. É escusado dizer que os rumos mais cor-de-rosa da série não me têm suscitado grande interesse. No episódio anterior, aliás, muito pouco me interessou! O caso dos escaravelhos quase me fez adormecer…

Às vezes penso que a nova era de ouro da televisão norte-americana já passou. E desse terrível pressentimento parto logo para sentimentos de nostalgia e saudade em relação a “LOST”, de que é melhor nem começar a falar…

Numa temporada bem fraca a nível de estreias (e não só, não é “Dexter” e “Sons of Anarchy”?), só “Shameless” continua de vento em popa, a conseguir alegrar-me, bravamente nadando contra a maré de porcaria que nos tem vindo a ser oferecida. Aconselho a todos – os meus comentários mais detalhados estão aqui. É mesmo a série que mais me tem feito feliz nesta temporada algo… soturna.

Porém, prometendo salvar a honra do convento estão ainda várias séries por estrear. E algumas deixam-me mesmo com água na boca! “Game of Thrones” é a nova produção que mais anseio, seguindo-se “Mildred Pierce”, a mini-série protagonizada pela admirável Kate Winslet. Com expectativas mais moderadas, espero também por “The Borgias”.

Termino atirando-vos com a mesma questão: que estreias aguardam com maior intensidade?

Vou mas é ver a estreia da 22ª temporada de “Survivor”! Até daqui a quinze dias!

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