Monday’s Morning Mirror #1

E estou de volta. De volta ao meu cantinho, com nova rubrica, deixando para trás a “Uma série de porquês”. E, antes de partir para a crónica propriamente dita, vamos tentar explicar o que é o Monday’s Morning Mirror. Antes de mais nada explicar o nascimento da mesma: o “Uma série de porquês” era uma rubrica que se focava nos porquês das séries, nos porquês que estas escondiam, e significava, consequentemente, estar “preso” a um tema específico. Assim, e com um título pouco (ou nada) relacionado com o mundo, é possível a este marmanjo ir escrevendo sobre o que quer e o que lhe bem apetece. Desde séries, passando por actores, renovações, entre outras coisas. O MMM será essencialmente isso: uma rubrica sobre séries.

E, assim sendo, vamos lá começar o trabalho. Começamos, primeiramente, por falar de finais. Finais de temporada. E a sua necessidade de serem perfeitos. Friday Night Lights acabou na quinta-feira passada e, com ela, acaba uma grande série. Isso não haja dúvidas. Sinceramente, e ao contrário de que disseram os actores da série no mini-documentário depois do final, não vejo Friday Night Lights ser recordado durante muito tempo, para além dos fãs acérrimos. A série não tem os ingredientes de um drama puro e duro, não criou uma base de fãs longa, não é uma comédia inovadora. É uma excelente série. Um drama teen que devia ter seguimento, que devia ser visto e ser exemplo para outras séries. É o único drama teen que eu consegui acompanhar. Porquê? Porque foi o único drama teen que é mais drama que teenager. Friday Night Lights tem uma carga dramática exemplar.

E exemplo disso é o episódio final. Apesar de não o achar perfeito conseguiu ser o final completo para a série. Conseguiu prender-me durante 1 hora inteira (algo difícil para mim, acreditem), conseguiu arrumar as histórias, conseguiu demonstrar aquilo que esperávamos: que a série não é sobre os dramas adolescentes, mas sim os dramas pessoais. Isso torna Friday Night Lights uma série absolutamente extraordinária.

E agora? E agora uma série de jeito que esteja dentro do tema de FNL? Sinceramente, e no panorama televisivo de agora, não vejo. Isto porque, primeiro, FNL aguentou-se até esta altura por causa da DirectTV, que salvou a série das mãos da NBC. Depois porque uma série como FNL não encontra um público fixo. Sabe-se que as séries que a CW transmite terão sempre público. Séries como One Tree Hill, Gossip Girl, Life Unexpected ou 90210 encontrarão sempre no público adolescente que as querem ver. Cada vez mais pouco, mas lá haverá. Para além de séries como Glee (e as restantes que vieram e ainda outras que virão atreladas), que continuam a aproveitar bastante bem o efeito de marketing fantástico (exemplo? Ser a única série com destaque no novo site do Ausiello, a par de Grey’s). Mas isto é outra conversa. Logo, o que fica? Ou os dramas teen com mais referência à segunda palavra ou musicais. Espaço para séries como FNL, não há.

E Friday Night Lights é, primeiramente, o final de um drama mais suave. A partir de agora, e vendo o panorama televisivo desta mid season, nota-se que, para existir um drama em televisão aberto, tem de ser criado por Shonda Rhimes. De resto, existem séries de acção (Chuck, The Cape, No Ordinary Family, Human Target ou Fringe, p.e.), existem procedurals (House, The Chicago Code, Castle, Harry’s Law, NCIS, entre muitos outros) e comédia (HIMYM, TBBT, Raising Hope,The Middle, The Office, Mr. Sunshine e mais uns quantos). A televisão aberta dos Estados Unidos da América resume-se essencialmente a isto. Depois há duas séries que se separam deste modelo… Rapidamente lembro-me de The Good Wife que é um híbrido (tal como Fringe, também de modelo diferente mas esta não envolve tanto drama) e V que se aproxima muito de uma série de acção. De resto, e percorrendo a minha memória, não vem mais nada à cabeça.

Claro que vocês podem-me dizer: mas Friday Night Lights não era da televisão aberta. Sim, têm razão. Mas nasceu lá (foi da NBC, para quem não se recorda). Isto só demonstra que, há 4/5 anos a aposta em dramas “puros” em televisão aberta ainda era habitual, agora tornou-se uma raridade. E, quando surgem, vemos a serem cancelados antes de crescerem (exemplo deste ano: Lone Star). A televisão americana tornou-se monótona, simples de compreender, sem grandes riscos, sem grande imaginação. Sinceramente, nesta altura não vejo séries com Lost a aparecer. E aqui reside um problema sério.

Concluindo:

  • A televisão aberta americana está racional.
  • Existem 3 tipos de séries (excluindo da televisão aberta a CW): séries de acção, procedurals e comédia. Depois existe Glee, que é um musical, e duas ilhas: The Good Wife e V. E se quisermos ver um drama, parece que tem de ser na ABC e criado pela Shonda Rhimes.
  • O final de Friday Night Lights, para além de ser o final de uma grande série, demonstra como a televisão americana modificou-se: antes ainda arriscava um pouco, agora pouco ou nada arrisca.
  • Dica deste marmanjo: vamos ver televisão britânica…

O MMM volta daqui a duas semaninhas, com nova crónica e nova opinião. Agora façam favor de comentar.

8 thoughts on “Monday’s Morning Mirror #1

  1. Gostei da rubrica, apesar de nunca ter visto FNL além do primeiro episódio, mas concordo com a visão, já não há grandes dramas que consigam ir além do habitual teen ou mesmo sem caírem numa novelização. (como Bros e Sisters). É uma pena que apostas como em Lone Star cedam facilmente ao drama das audiências, resta o cabo, mas mesmo essa por vezes limita-se demasiado.

    Mas tal como diz na ultima frase… ainda existe a tv britânica que nos apresenta pérolas em pequenas doses que merecem ser destacadas.
    🙂

  2. Pois é, lá se foi a minha série favorita. E concordo plenamente contigo, dificilmente surgira outra série que ocupe o buraco deixado por FNL, pois tal como tu dizeste e apesar de ser considerada um série teen, Friday Night Lights era muito mais que isso, tratava os dramas sociais como nenhuma outra o conseguiu fazer, com um realismo assustador, com interpretações vibrantes. Enfim podia continuar aqui a noite toda a falar de FNL, mas como tenho de escrever sobre outros assuntos fico-me por aqui.

    E já agora gostei da coluna, sou para ser simpatica..:P

    • Muito obrigado pelo elogio.

      De resto, e quanto a FNL, o problema não é haver uma série que trate os problemas sociais como FNL fazia. O que é pior é o desaparecimento do drama da televisão aberta.

      Cumprz

  3. Excelente a tua rubrica.. falas-te bem sobre o final e nem um único spoiler lançaste.. ( ainda só vou no episódio 5, a fox só exibe um por semana😦 )

    Quanto à forma como a analisaste a Tv americana, pareceu-me correcta, faltou apenas acrescentar a importancia dos reality shows, apesar de ser uma área com alguma queda nas audiências nos últimos anos, é sempre uma categoria com grande impacto na grelha e no espaço de manobra de algumas séries.

    “(House, The Chicago Code, Castle, Harry’s Law, NCIS, entre muitos outros) “, Lie to me não pode estar incluido no “entre muitas outras” …xD

    Para terminar, como é obvio ainda não vi o mini documentário dos actores de FNL, mas se calhar o que eles queriam dizer era algo do tipo:

    Estamos muito agradecidos pela a oportunidade e esta série vai ficar para sempre no nosso pensamento.
    Digo isto, porque alguns dos actores principais ficaram extremamente bem cotados em Hollywood.
    Dou um exemplo, o Kyle Chandler ( Coach Taylor ), vai SÓ participar no Super 8, ao encargo de Steven Spielberg e J.J. Abrams.. =O

    • Tentei fazer isso, porque o retrato não é sobre a série mas sim sobre o problema da televisão americana.

      Quanto aos reality shows, tens plena razão. Eles dão audiências e retiram tempo às séries.

      Quanto aos actores de FNL, eu percebi. Mas temos de dizer que a série não é perfeita, teve as suas falhas. Mas foi fantásticas, com actores fantásticos, que nunca esquecerão a série.

      Cumprz

      • Não existem séries perfeitas😛
        Mas algumas são melhores que outras e esta para mim está incluída nesse pacote.

        Cumprz

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s