E Tudo o Tempo Levou: Serenity (Parte III)

Confiram ou recordem a parte I e parte II da rúbrica “E Tudo o Tempo Levou: Firefly”


Ignorada mas não Esquecida III

Da mente de Joss Whedon, surge como um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos tempos misturando ficção, acção, drama e comédia, mas o que o torna especial é a sua origem e a forma como foi criado.

Como se sabe, Firefly foi prematuramente cancelada terminando com apenas 14 excelentes episódios. Factos são factos e o que é certo é que a audiência não foi boa o suficiente para justificar à FOX uma continuação. No caso em concreto de Firefly a quantidade massiva de fans que se uniram num esforço sem igual (qual Jericho qual quê!) conseguiram provar que a vida Firefly tinha asas, asas para continuar a voar, para continuar em aventuras e a satisfazer os fans.

Com base nesse pressuposto, Joss Whedon conseguiu que a Universal adquirisse os direitos da série à FOX podendo então dar origem a uma nova aventura, não em série mas sim em filme. Era então a primeira vez que um enorme fracasso de TV era adaptado ao grande ecrã, de nome: Serenity (2005).

Três anos depois, o filme, muito bem desenvolvido, deu aos fãs uma conclusão. Talvez não a mais desejada, mas mais que isso, as respostas esperadas que não haviam sido dadas em Firefly foram dadas e isso é a grande mais-valia de Serenity, uma boa e digna conclusão.

Em 2005 Summer Glau ganha um SFX Awards por melhor actriz.

Em 2006 Joss Whedon recebe pela Science Fiction and Fantasy Writers of America o prémio de melhor script pelo filme.

Em 2006 Nathan Fillion é nomeado pelos Online Film Critics Society Awards e Empire Awards para melhor actor/performer.

Em 2006 Summer Glau ganha um Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films por melhor actriz.

Em 2007 Serenity é eleito pela revista SFX Magazine como o melhor filme de ficção científica de todos os tempos, ficando à frente de filmes como Star Wars.

Em 2010 o famoso site ugo.com elege Serenity como o 9º melhor filme de naves espaciais de sempre.

Em 2010 volta a ser eleito pela revista SFX Magazine como o 5º melhor filme de sempre.

Mas o que trás de novo Serenity?

O universo de Serenity consegue ser diferente de qualquer outro (tal como Firefly), isto é, temos uma visão completamente transparente e detalhada da nave espacial, uma nave simples sem aquela sensação labiríntica que as demais têm, personagens sem aqueles fatos e roupas esquisitas a tender para o bizarro, não se vê um único extraterrestre medonho, tudo muito simples e muito autêntico aos nossos olhos, coisa que nunca chega a acontecer em sagas como a de Star Wars ou Star Trek.

Mas mais que isso, Serenity traz o que de bom se fez em Firefly, ou seja, um universo muito original com detalhes futuristas e de faroeste, muita cultura chinesa, o conceito de não existir qualquer tipo de som no espaço, um mundo portanto muito adaptável ao nosso consciente.

Voltando um pouco atrás, Firefly conta a história de um grupo de pessoas que à sua maneira haviam perdido a guerra, os chamados Independentes.

Logo no primeiro episódio somos apresentados a um casal de irmãos, Simon, o médico e River, a prodígio. É em River que Firefly tem o seu maior mistério pois tudo à volta desta ficou guardado a sete chaves durante 3 longos anos.

É portanto com base nisso que o escritor, produtor e realizador Joss Whedon se foca nesta belíssima obra.

Começando num flashback, o filme mostra-nos como Simon conseguiu libertar a irmã investindo toda a sua fortuna e colocando de parte a sua vida pessoal e profissional. A cena é muito bem-criada, bem desenvolvida e num ambiente pesado vemos um Simon imprevisível a ‘puxar dos galões’ para salvar a irmã, senão vejamos…


Outra necessária explicação foi sobre os chamados Reavers, que até então eram descritos como monstros, canibais, seres que metiam medo a qualquer pessoa, até mesmo ao bruto Jayne e à temível Aliança.

Whedon consegue aqui tirar outro coelho da cartola, premiando-nos com uma muito agradável surpresa sobre a sua origem que mal apareceram na série mas no filme são um grande foco, mais que isso, a sua explicação consegue ser muito credível e aceitável coisa que em Firefly não chega a acontecer uma vez que é dito que estiveram muito tempo no “vazio”, no “fim do universo” e ficaram assim como eles são.

Mas a maior novidade iria ser a nível de acção, novamente em torno de River e nas suas habilidades psíquicas e de manusear toda e qualquer tipo de arma, bem como “arrear cachaporra” em todo e qualquer ser. Cenas de encantar que em 2005 encantaram “meio mundo”, cenas de acção dignas de grandes elogios, cenas de acção carregadas de efeitos especiais, cenas essas que deram a Summer Glau (River Tam) o estrelato dos dias de hoje, senão vejamos…

De modo geral, a narrativa é bem desenvolvida e consegue de forma bem positiva contar uma história sem forçosamente obrigar o espectador a conhecer Firefly. Contudo ver apenas o filme significa ver um filme 3D sem óculos, ou seja, tudo é desfocado e todo o prazer de querer assistir ao filme vai por água abaixo.

Serenity consegue dar-nos momentos dramáticos e emocionais. Whedon de forma quase chocante mas intensa mostra-nos que apesar de todos os personagens serem importantes, cada um à sua maneira, a necessidade de se ‘livrar’ de um por um bem maior é mais importante que qualquer outra emoção. E é aqui que Firefly se torna importante, pois quem apenas assiste ao filme não atinge todas essas as emoções que Whedon nos oferece, isto é, apenas com o filme, para todos os efeitos, tudo se torna fácil de aceitar e simples de entender e como todo o bom mortal, isso já não é suficiente.

Em suma, mais do que um filme de acção carregado de muitos e bons efeitos visuais, Serenity é uma extensão de algo muito maior que nos foi oferecido, pois para nosso proveito e satisfação Serenity é o auge de um mundo tão original e refrescante aos nossos olhos, Serenity é a conclusão que nós precisávamos, Serenity é acima de tudo um filme feito com base no carinho dos fans, coisa que nestas circunstâncias não creio que volte nunca mais a acontecer.

Se Firefly/Serenity foi um mundo ignorado? – Foi!
Se será um mundo esquecido? – Deixo ao critério de cada um!

2 thoughts on “E Tudo o Tempo Levou: Serenity (Parte III)

  1. Sempre achei o filme um espectáculo mas não sabia que tinha ganho esses prémios todos🙂
    A River com os Reavers foi sem duvida a maior/melhor cena de acção/porrada de sempre, nunca se tinha visto tamanha ‘cachaporra’ e ‘matança’ com esta qualidade e elegância🙂

    Pena que acabou, assim como eu de certeza que muitos gostariam de uma 2º temporada da série ou outro filme mas infelizmente as coisas boas acabam depressa😦

    PS: NBC Universal bloqueou os videos… não dá para meter outros?

    • Os vídeos já tão on (pelo menos eu vejo-os), um bocado dessincronizados (imagem e som) mas assim que puder vou tratar disso…

      Sim, o filme “fartou-se” de levar prémios.. quando estava em investigação (este três posts requereram valentes horas (rever a série e filme; pesquisa na net)) eu próprio me admirei quando vejo que Serenity é eleito por revistas e sites como um dos melhores de sempre do género.. num deles à frente de Star Wars, um pouco exagerado talvez, mas justa a destinação sobre outros filmes…

      Enfim, Firefly/Serenity são o que são e não é por acaso.. Pena que pouca gente os conheça..
      Para a semana à mais, até lá a pista é aquela imagem😛

      Cumps…

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