A Série da minha vida: Everwood (por Mary Barros)

Quanto mais as coisas mudam, mais elas mantêm-se iguais. Não tenho certeza quem foi o primeiro a dizer isto. Provavelmente Shakespeare ou talvez Sting. Atualmente é a frase que mais exemplica minhas falhas e imperfeições. Acredito que não estou sozinho nisto, pois quanto mais conheço as pessoas, mais percebo que o sentimento de imperfeição torna-se universal. Exatamente igual na maior parte do tempo, perfeitamente imóvel, este sentimento traz consigo um conforto de certa forma. Se estas sofrendo, pelo menos esta dor é familiar. Se você der um salto de confiança, projetando-se para fora da caixa e assim optar por fazer algo inesperado, quem garantirá que não haverá outro tipo de sofreguidão a sua espera, deixando a possibilidade de ser ainda pior, por isto mantêm-se no status quo. Escolhe então a estrada já percorrida e isto não pareçe ser tão ruim a princípio, não tão ruim quanto suas imperfeições. Você não é um viciado. Você não está matando ninguém, mas talvez esteje lapidando um pouco de si mesmo. Quando finalmente muda, creio que não acontece da mesma forma que um terremoto ou uma explosão, pois do nada, reparamos que estamos diferentes. Existem certas coisas que a maioria das pessoas nem se quiserem percebem, a não ser que elas olhem bem de perto. Algo que, graças a Deus, elas nunca o fazem. Mas você percebe. Dentro de si, estas mudanças fazem uma diferença tremenda e você espera que seja isto e ponto final. Pensa então que esta é a pessoa que você será daqui pra frente e que nunca teras que mudar novamente.

Resolvi iniciar minha coluna com uma citação de Everwood, que como já podem perceber é a “Série da Minha Vida”. Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade em abrir meu coração a respeito da série que marcou significativamente uma fase de minha vida, série na qual tem por fundamento dois príncipios que eu prezo muito desde que me conheço como ser pensante , sendo eles: o recomeço e as mudanças. Minha longa jornada televisiva já me transportou por diversos gêneros, porém nenhum me conecta mais do que os drama familiares, estes que por preferência muitos passam longe.

Quando a série estreou em 2002, o nome do jovem criador/produtor Greg Berlanti ainda não reluzia grandes feitos, porém após quatros anos de Everwood , ele e sua produtora assinaram séries como: a extinta Eli Stone; a veterana Brothers & Sisters e a novata No Ordinary Family.

Antes de falar propriamente da simbologia de Everwood, tenho que dizer que o mais importante, até mais do que os quatro anos que a extinta Warner a manteve no ar, foi as 3.738 horas das noites de quinta-feira, compartilhadas no sofá de casa ao lado do meu querido e amado pai. Pode soar como transferência , mas um dos grandes fatores que me faz gostar ou não de uma série é o quanto ela fala através daquilo que sinto e vivo, claro que muitas das que assisto, sejam elas de fantasia, mistério,comédia ou sobrenaturalidade, fica parcialmente distantes da minha realidade, porém são com dramas como Everwood que consegui encontrar respostas, questionar-me e principalmente transmitiu emoções tão singulares a mim.

Escolhi recomeço e mudanças pois são estas duas atitudes que a família Brown inicia sua nova vida, deixando Nova Iorque após a trágica perda da matriarca. Dr. Brown, um renomado cirurgião e seus dois filhos, o mais velho inconformado e talentoso Ephram e a pequena moleca Delia, juntos porém emocionalmente distantes, trocam o frenesi e a loucura de Manhattan, pela pacata e fria cidadezinha provinciana chamada Everwood, localizada no Colorado. O reflexo trágico da perda dá o tom inicial na vida desta família, porém são suas incompatibilidades que os tornam interessantes a olhos comuns, olhos que por vezes visualizam além das aparências. Ephram encara o estranhamento e a adaptação em sua nova escola, enquanto seu pai enfrenta olhares desconfiados dos habitantes, afinal a cidade já contava com um médico, o Dr. Abbott, que segue a tradicional linhagem médica de sua família, que agora é composta por sua dedicada esposa Rose; o irreverente filho mais velho Bright e a bela e talentosa caçula Amy. Até então um quadro normal para a bdos hábitos e a construção de novos comportamentos, estes enquadrados no novo cotidiano corriqueiro destes estranhos no ninho.

Uma das características marcantes da narrativa sempre foram as citações presentes em toda abertura e encerramento de episódio,citações que ditavam todo o ritmo do que estava por vir, o que sempre proporcionava a mim e meu pai interessantes reflexões sobre nossas vidas, escolhas e partilhas. Apesar de ter um relacionamento totalmente diferente com meu pai, pois este sempre foi extremamente presente e dedicado em toda minha vida, Ephram degladiava-se com seu profissional pai, pois se este fosse tão presente em sua clínica quanto em casa, sem dúvida as coisas teriam sido diferentes, porém conforme o texto inicial, certos caminhos as vezes tornam-se repetitivos e somente uma alteração de rota drástica pode possibilitar novos horizontes. Debatendo-se com sua nova realidade, Ephram encontra razões para viver novamente ao conhecer Amy, filha do médico rival de seu pai. A paixão dele pelo piano e a dela pelo ballet fazem um paralelo as escolhas que futuramente eles tomarão em suas vidas, porém é o delicado e respeitoso relacionamento desenvolvido que permite o rompimento da parede rústica que Ephram colocava sobre tudo e todos desde seu “recomeço” em Everwood. Dr. Brown que vivia tão absorto a sua carreira, esqueçendo de seu papel como marido e pai, encontra em Everwood uma oportunidade de reinventar-se, inclusive sua nova clínica gratuita torna-se um revez de sua antiga multi-milionária carreira como cirurgião. O que proporciona um grande giro comportamental são os ajustes que ele tem de fazer em sua relação com Ephram, pois por mais que ambos se abram para o amor de uma mulher, do pai com Nina e do filho com Amy, precisam concertar antes de tudo o abismo entre eles.

Poderia ficar a falar de todas suas temporadas, porém fugiria do foco desta coluna, sendo assim tento expressar que Everwood marca o reencontro com princípios da família, amizade, amor, tolerância, perseverança, união, perdão e principalmente: do reencontro consigo mesmo e comigo posso dizer claramente: emocionei-me completamente nestas 3.738 horas

I can’t keep being your second choice, not when you’re my first.

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