Uma série de porquês: Glee (Parte II)

Confere a parte I de “Uma série de porquês: Glee

Voltamos a ver como Glee anda, certo? Então vamos lá, senhor leitor…mais uma moeda dá direito a mais uma viagem

Então. Glee. As personagens com qualidade, o elenco que arrebata, etc…Já sabem o meu comentário a isto tudo. Um elenco fraco, personagens desinteressantes e sem conteúdo. Duas coisas que fazem uma série ser uma série Glee não as tem. Outros aspectos? Vamos lá ver…

A narrativa. A famosa narrativa cheia de músicas, espalhadas por todos os cantos da casa. Glee pode ser uma série passada sobre um clube musical. Claro que, assim sendo, tem de haver música à mistura. É só somar 2 mais 2 e saber somar…Mas vejamos FNL. Friday Night Lights é sobre futebol americano. Mas não é só sobre futebol americano. Melhor dizendo: é sobre as personagens que fazem futebol americano. Glee não é sobre as personagens/actores-contractados-para-fazer-de-si-mesmos que cantam, mas sim sobre cantigas que, por acaso, são feitos por estas personagens/actores-contractados-para-fazer-de-si-mesmos. É um exemplo claro os episódios “especiais” e os tributos que a série vai fazendo. Demonstram que Glee não é mais que uma forma de fazer uma daquelas longas maratonas que a MTV faz, com músicas seguidas umas atrás de outras. Glee é a forma que a Fox arranjou para passar uma rádio que só passa música para televisão. Tem os locutores, mas depois tem os 30 minutos de música seguida e afins. Glee é, no fundo, um musical televisivo, sem conteúdo de personagens. É um concerto da Lady Gaga. Glee é um concerto onde os actores são cantores que representam. Glee não é, e para fechar o argumento, claramente uma série.

Voltemo-nos a focar nos episódios tributo que a série tanto gosta de fazer e que dão sempre para o torto. Porquê? Porque a necessidade de fazer dinheiro com CD’s, DVD’s e afins torna-se um desejo superior. A narrativa encalha, uma narrativa desfeita. A narrativa zombie que Glee possui, quase a morrer, recebe nessas alturas um tranquilizante para andar mais moribunda. Ou seja, a “série” torna-se uma forma de publicitar artistas, de fazer ganhar dinheiro a Fox. Glee expõem-se, nestes episódios, no seu lado mais fútil, mais comercial, mais endinheirado. E, ironicamente, são estes os episódios que têm mais audiências. Isto leva-me a questionar, primeiro, a sanidade do povo americano. Mas essa já questiono há algum tempo, por isso já não é novidade. Mas leva-me a questionar se os americanos não estarão fartos de televisão e agora querem uma fusão entre a rádio e a TV. E, cada vez que vejo a falta de qualidade do episódio e vejo os números da audiência vejo que a Fox vai ter de começar a transmitir em FM.

Claro que segundo algumas pessoas Glee tem coisas boas. E o combate ao bullying? E a forma de mostrar pessoas deprimidas e reprimidas pela sociedade. Para esses vou fazer plágio do que escrevi há uns meses. Então cá vai…

“(…)vem a parte da homofobia para os gays. Não tenho nada contra eles nem nada a favor. São seres humanos com escolhas. Glee é uma série que tenta atingir essa fatia da população? Claramente. Mas, aquilo que tu dizes (Glee tentava mostrar o que as minorias sofriam) ser uma tentativa de ser Madre Teresa de Calcutá das séries por parte de Glee, tentando ir contra os erros da sociedade sem mais nenhuma preocupação é mentira. Glee é, como já disse, uma máquina de fazer dinheiro. Todo o markting que a série tem, todos os CD’s que saem, todos os concertos que dão, todos os episódios tributo que fazem tentam fazer com que a série renda o máximo. Para isso, e de forma ainda a aumentar mais as audiências, a série procura públicos insatisfeitos. Glee não tem personagens gay por mero acaso. A série tenta atingir esse mercado e procura saber o que eles pretendem. As narrativas de Glee não são feitas para ajudar os mesmos, mas sim de forma a que o público seja levado a pensar que está a ser ajudado e, com isso, veja a série. Tu trocas a ordem de como a série é feita. A série é feita pelo dinheiro e, para isso, explora fatias da população insatisfeitas.

Claro que isto não faz que seja mentira que a série possa ajudar os gays, os oprimidos, etc…Claro que a série critica a sociedade. Porque, só assim, consegue atingir os objectivos da audiência. A série procura o que o público quer e não o público recebe o que a série dá. Glee está pouco preocupado com os gays, com os oprimidos, com cicrano e beltrano. Está preocupado em como conquistar os mesmos, dando-lhes a ver o que querem para, assim, fazer dinheiro.

Glee é, apesar de tudo o que os fãs da série querem fazer passar, uma máquina de fazer dinheiro. E, para isso, tenta atingir públicos insatisfeitos com a TV. E, como não consegue puxar estes públicos e fazer uma série de interesse, despreocupa-se com a segunda parte para que o dinheiro continue a entrar. Por isso, e apesar de toda essa conversa de que Glee ajuda as pessoas, eu vejo em Glee uma máquina de fazer dinheiro. Se para isso ajuda as pessoas é a cereja em cima do bolo para a Fox. Mas a Fox quer o bolo…a cereja é para os pobres… (…)” (para quem ler a argumentação completa, é só clicar http://portal-series.com/glee-2-02-brittanybritney/#comment-31489)

Ou seja, sendo Glee uma máquina de fazer dinheiro, a “série” só consegue fazer o mesmo chegando aos públicos menos representados. Por alguma razão que Glee consegue, assim, ter uma personagem numa cadeira de rodas, uma asiática, uma negra obesa e um gay. Glee é a mistura de Precious com Brüno (de onde retira a parte gay como a comédia…claro que a última não consegue, mas tenta). Uma manifestação de minorias. E, depois, num efeito de onde, toda a gente se reúne a volta da televisão para ver. Pais, avós, tios e primas…desde que haja uma da minoria representada na família essa família vê Glee.

Já me disseram que eu sou demasiado “hatter” de Glee (como um dia me chamaram…chapeleiro de Glee não sou com certeza). Eu não odeio a série, sinceramente. Por exemplo, não desgostei do episódio da semana transacta. Não achei genial, mas foi melhor que muito que Glee já fez. Porquê? Porque removeu parte do cancro. Removeu o rapaz que só sabe dar corda ao rabo. E assim parte do problema passou de existir. O problema é que Glee não percebe isso, não consegue tomar uma decisão importante no que toca a “arrumar” personagens. E, assim, a “série” continua medíocre episódio sim, episódio sim, com algumas excepções.

Concluindo, Glee tem coisas importantes? Tem. Poderá ter mais interesse? Claro que sim. Mas enquanto não deixar de tentar dinheiro a torto a direito será a série medíocre que não consegue fazer mais nada que ter fãs de musicais e a dizer que Glee é uma série. E Glee não é uma série, é um rádio com imagem.

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