A Série da minha vida: Alias (Vingadora) por Sérgio Garcia

Esta magnífica série foi lançada em 2001, vinda da mente do talentoso J.J. Abrams, que conseguiu quebrar algumas barreiras e atingir inesperado. Espantando mundo da tv, ao apresentar uma série que juntava um conjunto de cenas repletas de acção, espionagem, drama e mitologia.

Parece um pouco estranho imaginar inúmeras cenas de espionagem, com uma grande dose de mitologia à mistura, tal como é difícil de imaginar peixe e carne no mesmo prato. Mas, a verdade é que a Alias prova-nos o contrário. E confesso que foi esta simbiose que me deixou de queixo caído e apaixonado pela série.

Tentem imaginar 24 e Lost numa série só, é um bom exercício para perceber o que é Alias. E acabar também com aquela ideia errada, de que a série é sobre uma rapariga jeitosa, que teve que enveredar pelo mundo da espionagem e distribuir batatada em tudo que lhe aparece à frente.

É verdade que Sydney Bristow, personagem principal interpretada por Jennifer Garner, adorava mostrar os seus dotes de combate, ou aplicar a sua enorme precisão com armas. Mas, o que a tornou uma figura mítica do panorama televisivo, foi o facto da personagem em cada missão, assumir de forma detalhista e complexa o seu disfarce. Lembro-me rapidamente, dos inúmeros Looks usados com as famosas perucas, que lhe eram características e da maneira espantosa como falava qualquer idioma, com a prenuncia adequada.

Como é óbvio, isto por si só, não é algo impressionante nem de novo na TV, mas foi tão bem potencializado pela narrativa, através das vastas cenas filmadas por esse mundo fora. Que conseguiu tornar cada missão especial e única, sem nunca criar aquele sentimento de Déjà vu, na nossa mente.

Realce-se a qualidade e dedicação da actriz Jennifer Garner para interpretar o seu papel, evidenciando sempre capacidade de fazer fluir cada disfarce e de imprimir emotividade quando necessário. Fruto desse trabalho, acabou por ganhar em 2002 um globo de ouro, de melhor actriz.

Porém, como o mundo não é apenas repleto de heróis temos também que apresentar os vilões. Lado esse que tem como face, Arvin Sloane, interpretado por Ron Rifkin.

Esta personagem é quem recruta Sydney Bristow para o mundo da espionagem, e é responsável por uma das células mais importantes ( SD-6 ), de uma organização secreta. Que se disfarçava como sendo uma organização governamental oficial, em vários pontos do planeta.

O objectivo desta organização culminava com toda a Mitologia da série. Uma vez que, o seu interesse passava por encontrar ou compreender o trabalho desenvolvido por Milo Rambaldi, através de várias missões.

Sem querer entrar em spoilers importantes, Milo Rambaldi, foi um profeta do Séc. XV, que desenvolveu teorias e instrumentos extremamente avançados para a sua época. Um dos seus trabalhos mais reconhecidos, foi o desenvolvimento de algo que permitisse a vida eterna. Daí o grande interesse das organizações secretas acima referidas. A mitologia adjacente a este senhor, é nos dada a conhecer sempre de uma forma calculista e com várias peças, de forma a poder-mos completar o quebra-cabeças e ter excelentes cliffhangers, ao mesmo tempo.

No fundo, esta combinação de acção extrema com mitologia, sobre um profeta bem interessante, faz de Alias uma série única e interessante para vários tipos de público.

Personagens Secundárias:

Não podia deixar de mencionar as boas personagens secundárias, que como todos nós sabemos, são sempre um suporte ideal para qualquer série de culto.

E, mesmo nunca sentindo um desenvolvimento ao longo das 5 temporadas, na sua personalidade e crescimento como seres humanos, posso dizer que são bem construídas e coesas, ao longo da série.

Destaco duas, Jack Bristow ( Vitor Garber ) e Michael Vaughn (Michael Vartan).

O primeiro, segue um papel mais complexo, pois tem de assumir uma postura séria e autoritária perante qualquer circunstância. A sua frieza excessiva, por vezes torna algumas cenas hilariantes. O facto de ser pai de Sydney e também espião, torna-o ainda mais relevante.

Quanto a Michael Vaughn, é uma personagem que vem apimentar um pouco mais as missões, uma vez que é espião. E vem também dar vida à vertente drama da série.

Episódios:

Para além da excelente narrativa, cenários e montagens. A parte sonora dos episódios é sempre deliciosa. E puxando a brasa à minha sardinha, Alias é que é o grande exemplo das bandas sonoras, que J.J. Abrams costuma introduzir nas suas séries. Quem assistiu a Lost e assiste a Fringe, percebe facilmente que aqueles sons de fundo já estiveram em Alias.

Para mim e para algumas pessoas, o episódio “Phase One” é o melhor da série, pela montagem e pelo ritmo frenético do primeiro ao último minuto. Deixo aqui 4 minutos iniciais do episódio, para terem um pouco a ideia do ritmo e da boa disposição, que se sente ao ver Alias.

Mas, o episódio que mais me deixou de queixo caído, foi o último da 2º temporada, “The Telling”. Ensinou-me o verdadeiro significado da expressão “ Season finale”, este mesmo capítulo é recordado por uma cena brutal de combate, onde a recorrência a duplos é mínima.

Graças a Deus que não tive que esperar um ano para ver o episódio seguinte.

Podem ver neste vídeo um pouco dessa luta, embora a qualidade não seja alta..

Por fim dizer que, apesar deste produto televisivo se ter iniciado em 2001, continua a ser cativante no presente sem qualquer vestígio de antiguidade. Por isso, se gostam de acção e de uma boa profecia, têm aqui a série ideal.

<O>

6 thoughts on “A Série da minha vida: Alias (Vingadora) por Sérgio Garcia

  1. A vingadora foi a primeira série que vi e foi a partir desta que comecei a gostar deste tipo de coisas..
    Muito original com um belíssimo argumento, carregado de acção e com boas personagens fez de ALIAS uma série inesquecível.

    Será sem duvida uma série a rever nos próximos tempos, se calhar nesta próxima primavera/verão…

    Há uma coisa que referes que para mim é incrivelmente importante numa série ou filme e que passa ao lado da grande maioria dos espectadores, a banda sonora. Marca a diferença e se há algo que fica na memória para além de personagens e argumento é a banda sonora, as músicas que nós ouvidos e que nos ficam na cabeça.

    Para terminar dizer apenas que concordo plenamente no teu ultimo paragrafo, pois quem gosta do género é uma série a ser vista e apreciada.

    Cumps.

  2. Alias não foi uma série que seja chamada assim de “grande série”. Pelo menos não a vejo como tal…mas, ao ver o teu texto, entendo-te porque a achas uma grande série. Porque Alias consegue (e só lendo o texto) aprisionar-nos desde o primeiro minuto, com uma acção bem conseguida e que vai misturando outros conteúdos. E assim Alias entrou na lista das séries a ver.

  3. Alias sempre foi uma série que me fascinou. Lembro-me bem dos tempos em que a série passava na SIC (e mais tarde na AXN) e eu simplesmente não conseguia desviar o olhar da televisão. Era uma série cheio de estilo, com magnificas sequências de luta e com uma personagem principal que desde muito cedo começamos a gostar (excelentemente representada pela grande Jennifer Garner). Mas perdia muitos episódios (já sabemos como a tv portuguesa trata as nossas séries) e haviam sempre muitos pormenores que ficava sem entender.
    Esta série (apesar de ter muitas missões da semana mas que contribuiam para o arco principal) de certa maneira revolucionou o mundo da televisão por ser uma série que parecia ter vindo do futuro (como o Sérgio diz, ainda hoje a série se mantém actual) e pelos seus twists nos finais dos episódios que deixavam os espectadores em pleno sofrimento à espera do episódio da próxima semana (o que neste último 6 anos acontecia com Lost).
    E sim, é uma série que acaba por ser muito idêntica a Lost principalmente a nível de targeting. Havia os fãs que adoravam a série e os “haters” que a detestavam. Este ódio deve-se muito ao tipo de série, que obrigava a acompanhar todos os episódios senão se queria deixar de perceber a história (ao contrário dos csi’s e house que revolucionaram o panorama televisivo na altura). Eu era um fã mas ao mesmo tempo podia estar incluido na lista dos “haters” por não perceber muito do que via.
    Então decidi ver a série toda, e não me passava pela cabeça a complexa mitologia que estava inserida na série, twists de deixar o queixo caído, alguns episódios memoráveis, excelentes actores convidados e por outras inúmeras razões (que não vou listar porque o Sérgio já listou e explicou da mesma forma que eu o faria) tornou-se a minha série favorita até ao momento, a série da minha vida.

    Parabéns Sérgio!

    • Obrigado =D

      Subscrevo as tuas palavras ! O exemplo que dás sobre ver a série na AXN ou na SIC, demonstra bem o quanto um mau horário pode prejudicar a opinião de uma pessoa em relação a uma série deste género.

      Ainda bem que a internet está ao alcance de qualquer pessoa, assim como a facilidade em gravar episódios através da Meo ou outro serviço.

      Abraço

  4. Pingback: 6 MULHERES MAIS FANTÁSTICAS DA FICÇÃO NO TELÃO

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s