E Tudo o Tempo Levou: Firefly (Parte II)

Confiram ou recordem a parte I da rúbrica “E Tudo o Tempo Levou: Firefly”

Ignorada mas não Esquecida II

26 de Outubro de 2009, um dia marcante para todos os fans de Firefly, um dia em que Nathan Fillion volta “vestir a pele” do famoso personagem Malcolm ‘Mal’ Reynolds.

O cinto à volta da cintura, sempre descaído, as calças castanhas de tom claro, as botas pretas… O que vinha à cabeça? Ele, o pensamento já estava nele, a emoção já estava a vir ao de cima, era quase certo que iríamos ver algo radiante, era quase certo que 5 mais tarde (ano de estreia de Serenity) iríamos vê-lo novamente, num outro personagem é certo, mas no fundo era ele, ‘Mal’, o irreverente capitão.

Os suspensórios, sobre a camisa vermelha, a arma, a arma a rodopiar, o grande casaco castanho simbolizando os independentes na guerra de Serenity Valley… Aí sim, era a confirmação que voltaríamos novamente a sentir aquela emoção, a emoção que durante 14 episódios e um filme os fans tiveram, aquela emoção de ver um personagem inesquecível, tão carismático, tão único, tão incrível, Malcolm ‘Mal’ Reynolds, um personagem tão real que quase se consegue tocar, aliás, não é só o personagem, pois toda a série se consegue tocar, um 3D literal que ao esticar a mão se consegue tocar e sentir a sua grandiosidade, a sua originalidade e a sua capacidade de nos entreter.

Nathan Fillion nasceu para interpretar este personagem e como quem sabe nunca esquece, 5 anos depois continua-se a ver a mesma expressão que deu vida ao personagem em 2002 (série) e 2005 (filme). Tal como Arnold Schwarzenegger será sempre o exterminador, Nathan Fillion será sempre recordado como o carismático “cowboy espacial”.

Em 2003 Nathan Fillion vence o “Cinescape Genre Face of the Future – Male” da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films pela sua interpretação como Malcolm ‘Mal’ Reynolds. Em 2004 o personagem foi considerado pelo famoso site TV Guide como uma das maiores lendas dentro do género Sci-fi. Em 2008 a revista Empire elege o personagem como um dos 100 melhores de sempre.

Actualmente no famoso site SpoilerTV.com decorreu uma votação (2010 Character Competition) sobre qual o personagem mais popular de sempre. Malcolm ‘Mal’ Reynolds ficou-se pela semi-final após ter eliminado fantásticos personagens como Dexter Morgon e Jack Bauer. (Prova do carinho dos fans por este personagem)


Mas quem é afinal Malcolm ‘Mal’ Reynolds e o que tem de tão especial?

Mal, o capitão de uma nave espacial de nome Serenity. Logo aqui se vê que este é uma pessoa destroçada, abalada e emotiva com e o após guerra pois dá-lhe o nome (nave) do local onde a perdeu (guerra).

O ex-sargento após a guerra compra uma nave para poder continuar a viver ao seu jeito, livre e a respirar o “ar do universo”, o ar que havia perdido no dia da guerra. Ao seu lado a sua tripulação, sempre a olhar por eles e eles por ele, todos o respeitam, todos o admiram.

A ideia principal à volta do personagem (e mesmo da série) sempre foi mostrar a sobrevivência, o objectivo era viver um dia depois do outro e manter a sua tripulação viva e a nave a voar.

Um personagem enigmático que raramente fala do passado, divertido em momentos, sério noutros, líder indiscutível da Serenity, capitão autoritário e de ideias fixas. Acredita nas pessoas e no bem que estas podem fazer e apesar das discussões e ordens por vezes frias e incompreendidas que dá ao seu grupo eles são o seu bem mais precioso.

A ligação é tão forte que Malcolm tem um pouco de si em cada um, em Zoe o respeito e atitude, em Wash a boa disposição, em Jayne a brutidade e cinismo, em Kaylee a pureza e genuidade, em Book a fé, em Simon a razão e lógica, em River o pensamento rápido e em Inara o amor.

Todos são parte dele e ele parte de todos. Uma união única, sincera e genuína que nos faz pensar porque na realidade o nosso mundo não é assim.

O episódio Out of Gas é a prova disso mesmo. Live Together Die Alone (não, Lost não inventou isso) pode muito bem ser um resumo em poucas palavras do (melhor) episódio, pois Mal preferia sem pensar duas vezes dar a sua vida em prol dos outros pois os outros são a sua vida.

Porque é que Malcolm ‘Mal’ Reynolds é amado por todos os fans de Firefly? Porque todos gostavam de ter um bocado dele dentro de si, porque toda a gente gostava de viver a vida dia a dia sem pensar no seguinte tal como ele fazia, porque toda a gente gostava de ter a importância (reflectir com cuidado) que ele teve, …, é portanto e simplesmente um dos personagens mais humanos, genuínos e originais alguma vez criados.

Frases emblemáticas do Capitão…

Jayne: Não temos trabalho nenhum há semanas. Nós precisamos de dinheiro.

Mal: Jayne, a tua boca está a falar. Trata disso!

Mal: Se alguém se mostrar curioso, sabes como é… dá-lhe um tiro.

Zoe: Dou-lhe um tiro?

Mal: Educadamente.

Inara: Embaixadora é o modo do Mal de dizer…

Mal: É uma prostituta, Pastor.

Kaylee: O termo é “companheira”.

Mal: Confundo sempre as duas coisas.

Book: (À mesa de jantar) Capitão, importa-se se eu der graças?

Mal: Só se der em voz alta.

Simon: Como é que sei que não me vai matar enquanto estiver a dormir?

Mal: Se eu o quiser matar, você vai estar acordado.

Vai estar a olhar para mim e vai estar armado.

Inara: Basta menos de uma libra de pressão para cortar a pele.

Mal: Tu sabes isso? Ensinam isso na academia de putas?

Mal: Não és propriedade de ninguém para seres assim descartada.

Tens o direito, tal como toda a gente, de viver e tentar matar pessoas.

Mal: Posso entrar?

Inara: Não

Mal: Vês, por isso é que não costumo perguntar.

Inara: Mal, não tens que morrer sozinho.

Mal: Toda a gente morre sozinho.

(Onde é que já ouvi iSto? Live Together, die alone)


Mal: (Três inimigos à frente) Qual é que achas que nos localizou?

Zoe: O feio, senhor.

Mal: Podias ser mais específica?

Amnon: Se alguém descobrir que aceitei um cadáver, perco a minha concessão.

Jayne: Vamos levá-lo a bordo?

Mal: Vamos.

Jayne: Não sei se vejo lucro nisso.

Mal: Não esforces o teu cérebro a tentar! Podes estragar alguma coisa.

Momentos emblemáticos do Capitão…


Mas não é só de personagens que Firefly faz a diferença…

Firefly é um universo imenso e muito original. Com detalhes futuristas, de faroeste, muita cultura chinesa, o conceito de não existir qualquer tipo de som no espaço, belíssimos efeitos visuais e uma banda sonora discreta mas importante em cena são alguns dos grandes atributos e mais-valia desta série.

A história acontece num futuro longínquo no ano de 2517, o planeta por nós conhecido como Terra não tinha espaço para tanto habitante.

Com isso a descoberta foram novas Terras, novos lares, novos mundos, mundos sempre habitados por seres humanos, maioritariamente Americanos e Chineses, nem um extraterrestre. Obviamente nada perfeito, a existência de um governo ditador levou a uma guerra, guerra essa perdida pelos Independentes.

A preocupação aqui era de nos fazer sentir que poderia muito bem ser o nosso mundo, a nossa vida, sem aliens, sem sons no espaço, sem coisas irreais e/ou inexplicáveis, a ideia era tornar a série o mais real possível e isso foi muito bem conseguido.

Um mundo que facilmente identificamos, um mundo que facilmente conseguimo-nos adaptar e amar, um mundo cheio de vida, alegria e tristezas, tudo a que temos direito.

Em suma…

Com um argumento rico, uma narrativa muito agradável, um mundo genialmente bem criado e totalmente original, com um personagem incrível e inesquecível, Firefly (nos dias de hoje) é capaz de arrancar lágrimas de uma pedra tal a sua originalidade e fantasia, dois ingredientes praticamente extintos actualmente.

Com grande alegria (mas tristeza) digo sem grandes receios:

Se a Firefly fosse dadas as condições necessárias (estação televisiva, tempo, orçamento, etc., coisas que as séries têm em demasia hoje em dia) seria facilmente uma das maiores produções televisivas de sempre! É ver para crer!

Mas nem só da série vive Serenity… No próximo episódio… (Deliciem-se!)


To Be Continued…


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4 thoughts on “E Tudo o Tempo Levou: Firefly (Parte II)

    • Concordo totalmente, o filme veio dar uma perspectiva enorme à série que até então era totalmente desconhecida.
      Já conhecias Firefly? Fez-te rever ou vai-te fazer ver a série (e o filme)?

      É esse o meu grande objectivo. Levar as pessoas a verem o que nunca deveria ter sido ignorado, não Firefly pois não merecia.

      Cumps.

  1. Cowboy espacial – não há vacas no espaço 🙂 ha ha!

    Havia muitas mais frases e momentos emblemáticos do Capitão e não só, mas agora não me lembro já foi há muito tempo.
    Mas sei que todos os episódios tinham momentos marcantes, ou pela acção, estupidez do Jayne, piadas do capitão,… havia sempre qualquer coisa que marcava o episódio, era excelente!
    Firefly foi(é) mesmo uma serie como há poucas, apesar do modo como foi tratada teve este sucesso estrondoso.

    Curiosidade: http://en.wikipedia.org/wiki/Google_Wave#Origin_of_name

    • De modo geral Jayne não leva o destaque que merece mas é um personagem incrivelmente bom e muito real, estúpido que nem uma porta e com muitas frases também emblemáticas 😛
      Concordo plenamente, todos os episódios tinham sempre qualquer coisa marcante e Mal fazia com que isso acontecesse de forma muito natural, daí ser uma personagem marcante na história da TV.

      O objectivo é mesmo esse, levar as pessoas a verem ou reverem a série, será que consegui isso?

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