E Tudo o Tempo Levou: Firefly

Ignorada mas não Esquecida

Em 2002 o famoso escritor Joss Whedon (criador da série Buffy) inventava algo original e inovador para a TV Norte-Americana, uma série de ficção científica de nome Firefly.

Com uma mistura magistralmente bem conseguida de um ambiente espacial/futurista e western, Firefly tornou-se ao longo dos anos uma das mais amadas séries sci-fi já feitas até hoje.

Apesar do “cemitério de séries” (a.k.a FOX) a ter cancelado, com apenas 14 episódios, a série teve belíssimas vendas com o lançamento do seu dvd, muito graças à enorme legião de fans que foi crescendo ano após ano.

Em 2003 vence o Society Awards e o Emmy de melhores efeitos visuais para série de Tv.

Em 2004 vence o Saturn Award para melhor lançamento de dvd para televisão.

Em 2005 a famosa revista NewScientist elege-a como a melhor série sci-fi espacial de sempre, deixando para trás séries como Battlestar Gallactica e filmes como Star Wars: The Empire Strikes Back.

Em 2005 entra directamente para o 5º lugar no ranking de vendas de dvds do site Amazon, conseguindo ficar no top 15 durante uns impressionantes 2 anos.

Em 2007 o famoso site Tv Guide elege Firefly como uma das 30 melhores séries de culto de sempre.

Actualmente, Firefly é das séries com melhores classificações gerais em sites como Imdb e Tv.com.

Mas se afinal Firefly é uma série de culto e uma das melhores de sempre do género, porque foi cancelada?

Joss Whedon, que escreveu o piloto original teve uma rejeição por parte da FOX.

Motivo? Episódio demasiado lento para piloto.

O episódio escolhido pela Fox para passar às sextas-feiras (dia morto) como sendo o piloto (primeiro episódio) acabou por ser “The Train Job”, (segundo episódio). Um episódio que não nos apresenta os personagens nem a história por detrás da história como o piloto o fez (mas já lá vamos).

Ainda assim, a estação televisiva exibiu os episódios com a ordem que bem lhe apeteceu, ou seja, tivemos por exemplo o episódio piloto “Serenity” a ir para o ar como sendo o episódio 11 e o ultimo episódio (14) “Objects in Space” como sendo o 10º, isto é, numa semana vemos o último episódio, na semana seguinte vemos o piloto. Bravo!

Mas afinal o que levou Firefly a ser a considera uma série de culto e uma das melhores de sempre do género?

A ousadia de Joss Whedon em criar um mundo único aos nossos olhos fez com que por si só, a série se tornasse diferente, e diferente é algo a que nós não estamos habituados (principalmente nos tempos de hoje) a ver, ou seja, facilmente nos apegamos a ela.

Imaginemos portanto o que se seria fazer uma série de ficção científica com “cowboys” à mistura? Pois, é difícil de imaginar, a verdade é que a “coisa” correu muitíssimo bem.

Num flashback inicial deparamo-nos no fim de uma guerra, uma guerra civil em 2511 entre a Aliança (poder centralizado) e os Independentes/rebeldes. Qual era o objectivo? A liberdade, a independência, a união. A série transmite-nos em muitos momentos a Aliança como uma ditadura conspiratória.

Logo de inicio é nos apresentado o protagonista, Malcolm ‘Mal’ Reynolds (Nathan Fillion), um guerreiro audaz e estratega que lutou no lado dos derrotados, que se vê então obrigado a render-se à Aliança na batalha de Serenity Valley.

2517 é o ano que se segue…

A história começa-se então a ser-nos apresentada a bordo da Serenity (nome dado por motivos óbvios), uma antiga nave de carga da classe Firefly (aspecto da nave).

É a bordo desta nave que a aventura começa. É aqui que Firefly nos dá o melhor que tem a dar, os personagens. Tudo o que a série nos mostra é a visão da vida dos que não conseguiram vencer a Guerra, 9 personagens carismáticos que dão vida e alma à série.

Pois então comecemos…

Trazendo marcas da guerra todos eles têm os seus objectivos, as suas crenças, as suas razões de ser e estar. Ladrões, conspiradores, desconfiados, traiçoeiros, etc. Este é o carácter deles, da maioria, pessoas que sofreram com a guerra e que naturalmente adaptaram-se conforme as situações da vida. Ninguém perfeito, ninguém santo, assim eram eles tão credíveis aos nossos olhos.

Nem aqui Joss Whedon facilitou, testando vários actores com base na química entre eles, conseguiu fazer com que cada cena fosse totalmente credível, compreendida e real, a ideia de que os personagens estavam bem vivos era enorme, todas as emoções que conseguissem transmitir nós espectadores capturávamos que nem ímanes. É inclusive difícil imaginar outros actores a fazer tais papéis, principalmente Nathan Fillion.

Mas quem são eles afinal…?

Zoë Washburne

A mulher de armas. A primeira tripulante de Serenity, amiga e companheira de Malcolm na Guerra. Ao contrário do capitão ela encara as situações com calma e cabeça sendo de uma lealdade inquestionável, tendo também um enorme conhecimento de combate.

É casada com outro tripulante, o piloto da nave.

Hoban ‘Wash’ Washburne

O piloto. Marido de Zoe, Wash tem alguma inveja da lealdade e do apoio que a mulher dá ao Capitão. Consegue estar calmo e tranquilo, nervoso e em pânico em momentos semelhantes. Ao contrário de Zoe, Wash é sempre muito descontraído em situações tensas com um grande sentido de humor podendo por vezes parecer covarde.

Jayne Cobb

O bruto. Se alguém não é covarde é ele. Uniu-se à tripulação como criminoso/assassino.

Todos desconfiam da sua personalidade mas no fundo não deixa de ser fiel ao Capitão. Está sempre pronto para a acção e podem sempre contar com ele mas sempre com um pé atrás.

Por outro lado (típico) nada inteligente, nada calmo e com pouca ética.

Jayne é um dos personagens mais carismáticos e agradáveis da série.

Kaylee Frye

A mecânica. A carinha bonita da série é a mecânica da nave, a alma da nave, frágil como esta. Independentemente da situação, Kaylee consegue ver sempre um lado positivo, aceita qualquer coisa que seja “mandado” a ela com um sorriso nos lábios.

Tem um fraquinho por outro tripulante fazendo de algumas cenas partes comoventes da série.

Simon Tam

O médico. Anda em fuga sempre desconfiado e com medo após ter conseguido libertar a sua irmã da Aliança. Sempre bem-educado, Simon espalha elegância e boas maneiras pela nave. As suas tentativas frustradas para com Kaylee acabam quase sempre em sorrisos para o espectador. A sua grande preocupação é a sua irmã.

River Tam

O prodígio. É a irmã de Simon com talentos fora do normal. Uma genialidade que levou a Aliança a fazer experiências com ela, deixando-a com isso muito confusa e violenta. Vê o que os outros não vêem, ouve o que os outros não ouvem e faz o que os outros não conseguem. A tripulação tem alguns receios, todos querem alguma distância sendo que Jayne chega mesmo a ter medo dela. River é a personagem mais misteriosa da série.

Shepherd Book

O homem de fé. Misterioso é também Book que demonstra ter um profundo conhecimento sobre actividades criminosas e ilegais. Descobre-se que ele tem de alguma forma uma relação com a Aliança. É uma pessoa religiosa, sabe combater e manusear armas.

Inara Serra

A mulher de “negócios”. “Manusear” também é com ela, sempre rodeada de luxúrias, muito bem apresentada, educada e com uma imagem a manter, Inara está na Serenity não só para aumentar o seu negócio mas também devido à “chama sexual” que existe entre ela e o Capitão. Embora critique a forma como este tenta ganhar a vida, por vezes ajuda-o nas suas trapalhadas e roubos.

Malcolm ‘Mal’ Reynolds

O Capitão. Malcolm ‘Mal’ Reynolds, personagem irreverente e inesquecível, considerado como um dos personagens de TV mais…

To Be Continued…

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11 thoughts on “E Tudo o Tempo Levou: Firefly

  1. Felizmente a série teve direito a um final magnifico no filme posterior à série. É daquelas séries que adiei e que um dia resolvi ver e fiquei extasiado como é possível isto ter sido tão maltratado pela fox. O universo da série era tão rico e tão vasto e de uma criatividade imensa que se fosse hoje não duvido que havia algum canal de cabo a pegar nela e transforma-la num grande série.

    Só agora reparei que a Morena Bacarin de V entrava nesta série, ela estava tão diferente que nunca associei, mas sempre tive a impressão que a conhecia de outro lado. xD

    • Completamente Miguel, a série se fosse hoje em dia iria ser uma ‘lufada de ar fresco’.. Nem vale a pena dizer o quanto eu recomendo esta série, uma das melhores de sempre 😀
      Cumps e obrigado pelo comentário.

    • Nunca tinhas ouvido falar? Oh Ricardo, por esta é que eu não espera 😛 (tou a brincar claro)
      Se vais vê-la de certeza, também te dou uma certeza, não te vais desiludir! 😀

  2. Por ‘falar’ em Firefly, o conhecido blog seriemaniacos fez hoje um post muito interessante das 10 séries sci-fi obrigatórias de assistir, entre elas evidentemente está Firefly.

    É uma série que vale mesmo a pena (re)ver, uma bela obra de arte, é esse o objectivo destes artigos (mais que um claro :P) sobre Firefly, é que levem o user a assistir, vão ficar satisfeitos e eu também.

    • Sem duvida Tiago, do mal a menos em 2005 tivemos para nossa (dos fans) satisfação um filme incrivelmente magnifico e fiel à série.

      Já agora para dizer também que o filme Serenity vai ser também abordado na terceira (e ultima) parte deste “E Tudo o Tempo Levou: Firefly”

      Cumps e até à parte II 😉

  3. Ora aí está uma grande serie.
    Esperamos que algum dia alguém ainda venha com a brilhante ideia de dar uma continuação a essa serie, agora com a temível River Tam, juntamente com Mal aos comandos da SERENITY.

    • Isso parece-me praticamente impossível, pois acredito que ninguém deve ter a coragem (e bem espero eu) de voltar a pegar novamente em Firefly/Serenity, apenas Joss Whedon o poderia fazer e já o fez uma vez com o filme, não creio portanto que uma segunda vez aconteça, de qualquer forma, ver novamente algo novo sobre a série/filme iria ser maravilhastico! 😀

  4. Muito bom! Firefly foi excelente, pena ter ficado só pelos 14 episodios. Quando comecei a ver esperava ter os ‘habituais’ 22 ou 24 episodios só na 1º temporada como na altura Smallville e Alias (em 2002).

    Mas infelizmente como mfed diz neste artigo, e muito bem diga-se de passagem, o ““cemitério de séries” (a.k.a FOX)” fez mais uma das suas: cancelar series boas 😦 além de firefly, que eu me lembre e tenha visto foi John Doe (com Dominic Purcell em 2003) e Drive (com Nathan Fillion em 2007).

    Gostei desta piada: “…numa semana vemos o último episódio, na semana seguinte vemos o piloto. Bravo!” lol e depois admiram-se que não tem audiências e cancelam series.

    Gostei muito deste artigo e fico á espera da 2º parte 🙂

    • Sim, o canal FOX é rei e senhor a cancelar séries, o que é pena, John Doe foi outra grande perda sim, …, mas enfim.
      Por falar em John Doe, está nos planos, mas para já temos mais duas semana de Firefly/Serenity pela frente 😀

      Obrigado pelo comentário é até à próxima semana.

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