A Série da minha vida: Cold Case (por Jorge Pontes)

Uma série não é mais do que um produto de televisão feito de e para os espectadores. Nela são contadas várias histórias que, à primeira vista, parece que não tem nada a ver. Contudo, no clímax da história, todas estas histórias ficam ligadas por inúmeras razões. É esta a essência de uma série e que faz com que o espectador fique agarrado até ao último minuto para ver aquele pequeno detalhe surgir e mudar toda uma vida.

Cold Case é assim. Comecei a ver esta série há 3 anos, na Fox Life. Dava todos os dias antes do jantar e eu aproveitava a ver. Friso que, a primeira vez que vi esta série disse (e cito): “Detesto Cold Case!”.

“Detesto” é uma palavra forte, assumo. Vi, já não sei que episódio, e não gostei (naquela altura). Contudo, decidi dar uma nova oportunidade à série. Deixá-la crescer dentro de mim e numa altura em que a paixão pelas séries começou a crescer, Cold Case plantou a sua semente e desde aí acompanhei toda a emissão até ao final da quarta temporada. Hoje comecei a quinta e não me arrependo de ter esta pérola aqui no meu computador/disco externo.

Cold Case segue a vida da detective Lily Rush à medida que esta se depara com vários casos antigos que, naquela altura, foram arquivados por três razões distintas: falta de provas, corrupção ou assassino errado.

Tudo pede Justiça e chega a uma altura em que acontece alguma coisa e certo caso é reaberto e resolvido. Não podemos olhar para esta série como um procedural normal porque não o é. Não temos sangue para analisar nem laboratórios nem cena do crime porque tudo foi mudado ou remexido. Lily e a restante equipa trabalham com aquilo que têm e tentam dar nós às pontas soltas e construir a história da vítima.

Mais ainda, a cada episódio, é-nos mostrado um caso de um determinado ano. A banda sonora, as roupas, a vida cultural e a vida social são nos mostradas de uma forma quase mágica em que tudo é montado com perfeita harmonia.

Embora cada episódio diga no início que a história desenvolvida não envolve nem factos nem pessoas reais, Cold Case trata casos da vida porque o que estamos a ver aconteceu ou está a acontecer com cada um de nós. Aquela vida pode ser a nossa vida. E não nos podemos esquecer que estamos a lidar com emoções antigas e estas, que nos envenenaram (de certa forma) no passado, podem-nos envenenar no dia presente.

Se tivesse que escolher um dos muitos casos que já vi e que me marcaram verdadeiramente, sem dúvida escolheria o de Carrie Swett (S05E02), passado em 1998. É daqueles episódios que, por mais que veja, me fazem chorar. Carrie era apenas uma rapariga que gostava de si e de como era. É certo que falava de assuntos tabus como o sexo, os métodos contraceptivos ou a homossexualidade mas era ela mesma e foi morta por assim o ser.

Cold Case transporta-nos para as épocas mais remotas da nossa existência e mostra-nos o Mundo em diferentes zonas do nosso tempo ficando nós com uma ideia (embora pequena) de como era a realidade naquele momento particular. Com 156 episódios produzidos, distribuídos por 7 temporadas, Cold Case é das séries mais inteligentes produzidas até à data e considero-a por isto e muito mais, a série da minha vida.

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