Análise: Temporada 2010/2011: Expectativas (António Guerra) – Parte I

Existem dois pormenores que, no comentário de séries, não podem escapar ao comentador: as expectativas que partimos para a série e como estas influenciam o modo de ver as mesmas. Num mundo perfeito, que este não é claramente, quem comentaria as séries partia sem saber nada sobre a mesma. Não criaria expectativas e esperava que o produto lhe desse essas mesmas expectativas. Apesar de isso ser possível, a partir do momento que a série arranca as expectativas entram com elas. Sendo o mundo das séries uma espécie de cinema semanal, ficamos sempre na expectativa do que o próximo filme nos dará. E criam-se expectativas. Claro que, no meu mundo imperfeito, as expectativas são criadas bem antes. Assim sendo, e tendo como base um pack, chamemo-lo assim, de 15+2 séries (15 regressos/estreias confirmadas e 2 estreias a confirmar) para este ano, as expectativas para o mesmo estão criadas.

Existiram surpresas. Os anos são propícios para isso. Eu, que nunca me veria a ver Parenthood, gostei da série, por exemplo. Estes percalços estão, neste ano com menor tempo, muito reduzidos. Posso espreitar aqui e ali, mas pouco mais que confirmações e desilusões terei. Será um ano atípico, visto que só a partir dos meus colegas comentadores que vão escrevendo é que terei noção de quais são as surpresas. Mas, mesmo assim, existem algumas surpresas na lista para este ano. Vamos lá a elas.

Legenda

Vermelho – Vai dar uma volta…
Amarelo – Espera-se pouco
Azul – Pode ser jeitosa e ter boas pernas, mas falta uma cara decente
Verde – Boas pernas, bom corpo…segue sem dúvidas

Indo por datas, temos a abrir Merlin. Esta é daquelas séries que não farão parte do leque das 15, mas que terá uma primeira opinião. Sorte de começar mais cedo. Assim sendo, e após uma temporada muito mais regular que a primeira e com picos melhor colocados, Merlin parte para este ano com algumas expectativas. A série britânica tem, primeiro, isso mesmo: ser britânica. Um factor que conta logo como positivo, adicionando a forma como a trama tem evoluído. O primeiro ano foi um ano difícil para a série, visto que parecia que não sabiam para que lado se haviam de virar. Após esse percalço, a série consegui consolidar narrativas e, por exemplo, temos Morgana a crescer a olhos vistos. Apesar de não entrar nas contas, Merlin, que estreia no dia 11 de Setembro, é uma série em ter em conta para um ano muito bom, apesar do fatídico dia de estreia. E, lá para o natal, fazer parte da lista de recuperação…

De seguida podia falar das séries da CW, mas entrava em pleonasmos. Seguia tudo a vermelho, e assim sendo nem vale a pena. A CW, para mim, não é emissora que tenha séries, é uma emissora que tenta transmitir “séries”, se é isso que lhe queiram falar. Muito telenovela…Mas, depois, entro em ironia quando falo de Parenthood. A surpresa da temporada passada, pois estava a ver que seria comer e deitar fora, lá foi sobrevivendo. Apostando num drama familiar, algo que me faltava (e só assim a série se safou) é por causa disso que entra na lista. Apesar disso Parenthood parte, para este ano, com a expectativa baixa. Isto porque, se alguma das duas em dúvidas se mostrar consistente, é a primeira a cair. A série é boa? É. Mas fica por aí. Dá bons momentos, dá boas narrativas, mas pouco mais. E em tempo de fartura para a fome, o critério é elevado. Quase de certeza que Parenthood não me acompanhará. Fica para um dia destes…

Deixando Outlaw de lado, que nem li nada a partir do momento que vi como a série seria, passamos para a aposta do ano: Boardwalk Empire. E, para isso, permitam-me plagiar um texto do TVDependente que li no outro dia. Dizia assim: “Tem Martin Scorsese na realização do piloto, Terrence Winter na escrita do argumento, Mark Wahlberg e Stephen Levinson como produtores executivos, um elenco recheado por nomes como Steve Buscemi e Michael Shannon, e, cereja no topo do bolo, produção da HBO”. É nisto que me apoio para dizer que Boardwalk vai ser, seguramente, a série do ano. Ou pelo menos andará lá muito próximo. Como não podia ser, as expectativas são altas. Agora é esperar que a série corresponda. Um drama pesado que tem tudo para se tornar um peso pesado nas boas séries…até reviews do Tiago Duarte tem, para verem como a série promete.

Depois vamos para a black Monday, o dia onde as séries decidem avançar em peso. 20 de Setembro é o dia onde mais cortes houve este ano. Castle não suportou um ano muito pendular e o facto de ser procedural e, por isso, é a primeira a dar uma volta. A série só muito dificilmente voltará a lista, mas fica guardada para fazer maratona no verão, seguramente. Outra que foi dar uma volta foi House, série que já acompanhava desde os meus primórdios neste mundo. Fica na situação de Castle, apesar de que se o ano for muito mal ainda tem alguma hipótese de entrar. Fica amarelo por isso e por outra situação: pode dar um episódio brilhante e eu terei de espreitar. Mas vai ser uma vez sem exemplo. A série fica também para uma maratona de verão, porque não foge da minha vista. House foi das primeiras e é até a morte (dela) nos separar.

Quem também segue um caminho semelhante é The Event, a nova aposta da NBC. Pode vir com um efeito todo bonito, mas eu já sei que, a maioria das vezes, efeitos bonitos quer dizer asneira. Principalmente na televisão aberta…assim sendo, The Event nem nas contas entra. De estreias terá de ser um drama, e The Event não o será…fica para a próxima. Chase segue o mesmo destino e nem vou falar mais. Não entra nas contas devido a estrutura…seguinte.

Assim sendo, e não pegando nas estreias da CBS, que também não me puxam nada, ficamos com três séries. Primeiro Chuck, que é daquelas coisas que tem de estar na minha lista. A série mais divertida do último ano teve uma prestação muito boa, apesar de uns furos abaixo do segundo. O final deixou o gancho aberto que, apesar de bastante repetitivo, vem dar à série uma boa trama para construir. O medo é que Chuck tenha o problema deste ano: não seja dado a luz verde aos 22 episódios logo no inicio, permitindo aos argumentistas criarem um arco e não dois, como aconteceu. De resto, e vendo tudo, acho que este seria, para muita pena minha, o ano de despedida da série. Mais vale acabar agora do que estar a encher chouriços…veremos como Chuck se porta.

Depois temos HIMYM, que não deixa grandes expectativas. A série teve um ano muito “montanha russa”, com muito bons episódios e outros maus, mas o problema não foi esse. O problema foi, essencialmente, não ter conseguido criar narrativas consistentes para acompanhar a temporada. Assim sendo, espera-se um ano melhor, mas nota-se que a série começa a engonhar demasiado…está na altura da mãe entrar em cena.

Quem entra em cena, este ano, é Lone Star. A nova série da Fox vem com uma cara muito bonita, promete um bom drama, mas não deverá escapar ao gosto americano. Se conseguir aguentar-se bem neste primeiro ano, Lone Star tem boas hipóteses para crescer e dar-nos um excelente produto. Se cair nos primeiros episódios acaba tudo…vamos ver se os argumentistas conseguem ter um bom arranque, pois o resto da corrida depende disso. Assim sendo, Lone Star faz parte do grupo “+ 2”, ficando à espera para entrar nas 15 escolhidas…veremos.

Por agora ficamos até aqui. A coluna continuará ainda hoje, com as expectativas para Glee, Fringe, Dexter e The Walking Dead, por exemplo…espero por vocês para comentarem.

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4 thoughts on “Análise: Temporada 2010/2011: Expectativas (António Guerra) – Parte I

  1. Sobre o The Event acho que não vais ter razao desta vez (espero eu)..
    Nao espero que seja um WOW do outro mundo, não, muitos falam que é o novo flash forward, nao acho, diria mais que podera ser o novo heroes, ou seja, uma primeira temporada belissima e depois em queda nas restantes (se houver lol)..
    Isto para dizer que a primeira temporada de The Event vai ser muito boa.. tenho essa ligeiramente impressao 😛

  2. Aloha my dear sexy writer!
    Bom ver finalmente suas expectativas, estas tão bem discritas na intro de seu texto…
    Estou uma sitcom maniaca mais conciente neste fall season, por isto fico bem pé pra trás com os retornos e as novidades, mas quem sabe não me surpreende a maior, não é?!

    Boa parte das séries acima não acompanho, alias só vejo três delas: House, HIMYM e Chuck, a ultima NUNCA em milhões de ano me dececpionaria, mas as outras duas digo que estou com dor nas bolas e olha que minha anatomia não permite (desculpe o palavrear direto) rs.
    Lone Star digo que é uma candidata deste + 2, mas não coloco mtas esperanças assim como The Event, se bem q está nem dou um pirulito de bonificação, pois sei q sera uma balela sem proporções…Nem me arrisco a ver…

    Bom WD e BE são grandes produçoes, de grandes canais e com grandes retaguardas, então estas sem duvida tem o meu aval e sei que aprecia-las será um puro e prazeroso deleite.

    Agora aguardo ansiosamente pela Parte II e naturalmente sabes por que.

  3. Ricardo Lima :

    Subscrevo completamente em relação a HIMYM. Já é hora…
    Que venha a próxima parte.

    Tinha-a para ver este Verão mas a preguiça foi muita. Para além de que vi, ao longo do ano, certos comentários sobre o seu quinto ano que fizeram com que a expectativa fosse decaindo. Talvez no próximo…

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