Análise: Temporada 2009/2010 (Jorge Pontes) – Regressos

Depois de uma análise integral às estreias que passaram pela televisão americana na temporada passada, dirijo, agora, o meu holofote para os regressos da Fall Season 2009/2010. Muitos destes regressos eram, de facto, muito esperados e temos como exemplos, CSI: NY, Dexter e Chuck. Sigamos então para a análise.

Regressos: Comédia & Animação

The Big Bang Theory, Parks & Recreation e South Park são as três séries inseridas nesta pequena categoria.

The Big Bang Theory foi das series que mais me chamou a atenção desde a sua primeira temporada não só pelas histórias lá tratadas bem como pelos pequenos factos científicos lá tratados que servem, naturalmente, para aumentar a nossa cultura geral.

A temporada começa com o regresso de Sheldon, Raj, Howard e Leonard do Árctico onde passaram três meses a investigar todo o ambiente que os envolvia. Outro ponto onde o episódio primeiro toca é a relação de Leonard e Penny e onde ela ficou. Assim, à medida que a temporada corre, variadíssimas histórias são tratadas: a relação de Howard, a Penny a aprender Física para poder estar à altura de Leonard, o regresso da mãe de Leonard e a sua relação de proximidade com Sheldon e, talvez, a reviravolta mais esperada: o final da temporada onde Sheldon conhece uma mulher igual a si. Ingredientes que me fizeram rir durante toda uma temporada e que, realmente me fazem concluir que, não só podemos aprender com esta série mas como podemos soltar muitas gargalhadas porque temos em mãos um belo produto televisivo. Pergunto-me, ainda: como é que a actriz Kaley Cuoco consegue não rir em situações tão parvas que nem eu via maneira de parar de gargalhar?

Parks & Recreation foi outra série que descobri na Summer Season 2009. Com uma temporada relativamente pequena (com 6 episódios), esta permitiu-nos entrar no mundo do Governo e no novo produto que a NBC nos estava a mostrar: um mockumentary. Acompanhamos Leslie Knope, interpretada pela maravilhosa Amy Poehler, nas mais variadas confusões e aventuras para manter a cidade de Pawnee em bom estado, no que toca a zonas de recreação e parques. Eu, com esta série, não rio. Sorrio. Sorrio pela estupidez e porque não são 20 minutos mal gastos. Aliviar o stress de uma forma peculiar. É das únicas comédias da NBC que acompanho e não me arrependo.

South Park teve uma passagem efémera, no ano passado. De volta ao canal Comedy Central para a sua décima quarta temporada de sete episódios, South Park teve um ano duro muito por causa dos escândalos e das polémicas que envolviam os seus argumentistas. É certo que, após o episódio sete, na semana a seguir, lembro-me de ir à procura do oitavo episódio quando leio a notícia de que South Park terminou abruptamente por causa de tais polémicas. Pensei que tivesse sido cancelada. Porém, voltará este ano para a sua décima quinta temporada e estou expectante para ver o que é que os argumentistas prepararam. O melhor episódio da temporada foi mesmo o quarto, relacionado com o Facebook. O terceiro não lhe ficou atrás onde foi tratado o desaparecimento do KFC e todas as suas consequências. Congratulo, ainda, South Park por ter chegado aos 200 episódios nesta temporada.

Regressos: Drama, Procedurals e Sci-Fi

Das Comédias & Animação, passamos para uma das categorias que está cheia de pequenas pérolas.

Começando pelas séries canceladas, Dollhouse surge em primeiro lugar. Dollhouse, da autoria de Joss Whedon, mergulha-nos no poderoso mundo da mente e das memórias. Na chamada Dollhouse, pessoas reais são recrutadas para certas missões não sem antes lhes serem apagadas todas as memórias sendo estas armazenadas para quando o contrato de 5 anos expirar e regressarem ao mundo real. Eu apaixonei-me por esta série. É certo que, quando estamos apaixonados, a nossa visão é cega e não nos permite ver aqueles erros que fazem com que a série caia no abismo. A segunda temporada foi, portanto, um rebound, da primeira onde as histórias de todas as personagens começaram a evoluir de forma alucinante e não houve espaço para a melhorar. De todos os 12 episódios da segunda temporada (estou a deixar de fora o Epitaph Two), o pior foi, sem dúvida, o segundo pois retrata tudo aquilo que Dollhouse nunca devia ter sido: uma série com um caso semanal. Foi chato e desinteressante. Já o melhor foi o número quatro onde tivemos acção, adrenalina e, embora com caso semana, notei uma evolução das personagens ao mais alto nível.

Summer Glau aparece na pele da ex-melhor amiga de Caroline e, também, uma geek no meio deste imbróglio que é a Dollhouse. No episódio 10, dão-nos a conhecer o famoso Attic para onde as “bonecas(os)” que foram corrompidos se dirigem e onde vivem as mais terríveis missões, tudo, mentalmente. O final da série é para mim, o episódio 12 da segunda temporada sem os Epitaph que, ainda não entendi porque raio foram produzidos. Aliás, aquele episódio 12 nem foi final para mim porque acabou tudo no ar, sem uma explicação devida. O maior erro desta série foi mesmo os Epitaph que tinham como finalidade mostrar-nos o futuro. Não. Errado. Se assim era, não tinham posto nenhum Epitaph na primeira e tinham feito um episódio decente que conectasse ambas as temporadas. Chateou-me. Contudo, poder rever Summer Glau e Eliza Dushku a contracenarem e a possibilitarem momentos intensos, foi fantástico.

Ghost Whisperer, protagonizada pela belíssima Jennifer Love Hewitt, trouxe-nos uma temporada interessante onde luz e sombra lutaram até ao final. Melinda Gordon e Sam (que todos nós vemos como Jim) lutam para poder dar ao filho a vida que Melinda nunca teve. A ameaça das sombras é cada vez maior pois querem deitar mão ao Book of Changes que tem a particularidade de dar pistas sobre eventos futuros que poderão mudar a vida de todos, para sempre. No final, é Aiden, filho de Melinda, que a salva de todas as sombras que a possuíam. A CBS, que nos acostumou ao formato procedural com espíritos ao longo de cinco longos e belos anos, desistiu desta por causa dos resultados pobres que GW tinha à sexta feia. Foi, de longe, a pior temporada em termos de resultados mas razoável em termos de história. Tenho pena de a ver partir porque me acostumei a ter, semanalmente, Jennifer no meu ecrã (seja de computador ou de televisão).

Legend of the Seeker, série baseada nos livros de Terry Goodking e adaptada para televisão pela ABC trouxe-me, igualmente, momentos de pura magia medieval. Todos aqueles campos zelandeses, toda aquela magia que nos envolve e todas aquelas reviravoltas maravilharam as minhas manhãs dominicais. É, sem dúvida, uma série excelente com bons actores e uma história que nos agarra do primeiro ao último minuto. Na busca pela Stone of the Tears, Richard, Kahlan, Zed e Cara vão atravessando todo aquele mundo medieval e encontrando, de quando em vez, velhos amigos capazes de criar obstáculos, à primeira vista, intransponíveis. Com um belo final de série, Legend of the Seeker vai deixar saudades porque foi, igualmente, cancelada devido aos baixos resultados.

The Tudors, da Showtime, é a série da minha vida. Acompanhei-a desde o seu início e nunca fiquei entediado com nenhum episódio. As histórias tratadas, as evoluções das personagens, aquele mundo pré-Renascentista foi bem criado, bem estudado e, sobretudo, bem explorado. Ver Jonathan Rhys Meyes no papel do rei Henry VIII e a passar por todas aquelas fases foi maravilhoso de se ver. Excelente actor e excelente drama. Nesta quarta temporada acompanhamos Henry VIII nos seus dois últimos casamentos e todo o ambiente vivido fora e dentro da corte em resposta aos devaneios das rainhas e às guerras pelas religiões. Tudo mostrado com a maior perfeição possível, The Tudors vai, com certeza, ficar para a história.

Partimos, agora, para as séries que foram renovadas e que têm lugar na grelha da próxima Fall Season.

Em primeiro lugar está Bones que, nesta quinta temporada explorou o romance e a sensualidade da relação Temperance-Booth. Com a intenção de nos divertir durante 40 minutos, Bones trouxe-nos os casos mais bizarros e mais fantásticos que alguma vez poderíamos pedir. Interessantes e com aquele toque negro de humor, Bones leva-nos a dar uma volta pela anatomia humana, mais particularmente pelos ossos, com o único intuito de mostrar uma moral e provar que a frase “as pessoas mudam” é, realmente verdade, muito embora não mudem totalmente.

Depois de Bones vem CSI: NY que, esta temporada se solidificou na minha lista de favoritas. Começamos a temporada com o desenrolar do caso com que a CBS nos tinha presenteado no season finale da quinta temporada e que resolução! CSI: NY preparou-se e começou a temporada em grande. A partir daí, o procedural trouxe-nos desenvolvimentos a nível amoroso de Mac, Danny e Lindsay. Num misto de cultura e tecnologia, CSI: NY transportou-nos para dentro das mentes criminosas que actuam na Grande Maçã para não falar do final da sexta temporada que me deixou, na sua totalidade, a salivar pela boca e a querer que a temporada sete chegue, rapidamente!

[SPOILERS SOBRE O FINAL DE DEXTER]

Dexter regressou para o seu quarto ano com uma fantástica premissa: o casamento entre Dexter e Rita. O assassino mais famoso da América chegou ao ponto onde as suas emoções começam a importar (embora as quisesse esconder). Numa luta incessante pela descoberta do Trinity e de oportunidades para o matar, Dexter lutou bastante mas não conseguiu impedir que Rita fosse morta por este, numa banheira com o seu filho mais pequeno, Harrison, a ver. Foi chocante este final. E espero que a quinta temporada não caia por aí abaixo com a falta de criatividade ou uma história manhosa porque quando se fala em Dexter fala-se em terror psicológico e não em fadas, patinhos e mundos maravilha.

[FIM DOS SPOILERS]

Fringe conseguiu ter uma temporada em grande. Embora seja um completo horror compará-la a The X-Files, não posso deixar de referir que Fringe é filha de The X-Files. Os casos, as monstruosidades, o bizarro, os mundos paralelos são tudo assuntos que foram tratados na melhor série de todos os tempos e que a FOX decidiu incutir na maravilhosa Fringe. É indubitável passar uma quinta-feira sem ver uma das séries sci-fi que mais me surpreendeu. Nesta temporada, a temática dos mundos paralelos e das capacidades de Olivia é fortemente debatida e deu-me a entender que uma guerra entre os mundos está próxima. Gostei, particularmente, do episódio vinte, “Brown Betty” onde a metáfora teve um lugar especial. De notar, ainda, o genérico do século passado no episódio dezasseis, “Peter” e o sangrento nos episódios 22 e 23, “Over There”. Fringe é, em si, uma enorme mundo por descobrir.

Gossip Girl, que fiz questão de acompanhar esta temporada, surpreendeu-me. Muitos esperavam que esta temporada seria, de certa forma, chocante e que prometia muitos desenlaces. Contudo e, embora com uma historia interessante, todos os episódios foram muitos parados, sem acção e nem vi muitas maldades da misteriosa Gossip Girl. Onde esteve ela? Blair ganhou protagonismo e achei muito bem. Estava muito apagada e aquela personagem ainda tem muito para nos contar. Serena perdeu protagonismo, finalmente. Chuck, depois da morte do pai, teve de refazer a sua vida e observamos a sua luta constante contra a família para poder erguer o seu próprio império. Dan vai ser pai do filho que Georgina carrega na sua barriga. Para mim, esta foi a revelação mais chocante de todas e que me deixou de queixo caído. William Baldwin teve, igualmente, o seu protagonismo na pele de pai da Serena e foi bom vê-lo voltar à televisão depois de Dirty Sexy Money. Espero que a quarta temporada esteja melhor desenvolvida, mais dinâmica, mais chocante e que apostem mais na Gossip Girl. Que a façam sair, de facto. Levantem um pouco do véu que a cobre.

Grey’s Anatomy manteve o seu potencial. Depois daquela birra de Katherine Heigl, Shonda teve de refazer um pouco a história embora Izzie tivesse perdido um pouco o protagonismo após o seu cancro. Os casos semanais tratados foram interessantes e talvez o mais inteligente tenha sido o tratado no episódio seis “I Saw What I Saw” onde vemos o caso ser tratado ao contrário. É, sem dúvida, um dos melhores da temporada. Não podemos ainda esquecer aquele fatídico final, aquele massacre que Shonda fez questão de vincar em nas nossas memórias. Devo dizer que tal me deixou de boca aberta e sem reacção. Espero uma temporada melhor, com mais desenvolvimentos, mais drama porque Grey’s Anatomy é drama médico e não uma história de encantar. Longe vão os primórdios da série onde cada episódio era drama do início ao fim, aquele drama que nos agarra e não descola.

Law & Order: Criminal Intent, que comecei a acompanhar nesta midseason, mostrou-me um outro lado da mente dos criminosos. É procedural? É. Foi-me trazido pelo USA. Não me arrependi. Aqui o que importa (para além da história) são os pequenos detalhes que nos vão dando para descobrirmos quem, realmente, é o assassino. Os episódios 14 e 16, “Palimpsest” e “Three-In-One”, respectivamente, foram, para mim, os melhores da temporada. Tenho pena que o Jeff Goldblum tenha saído da série porque, a meu ver, a sua personagem dava um sentido humoristicamente negro aos casos. Espero ansiosamente pela décima temporada e pelo regresso de Vincent D’Onofrio e de Kathryn Erbe ao pequeno ecrã.

Private Practice, drama médico protagonizado por Kate Walsh, traz-nos o outro lado da medicina: a pediatria e a obstetrícia. É, certamente, uma série mais feminina. Porém, a personagem Addison sempre me cativou desde que apareceu em Grey’s Anatomy. Não só pela personagem mas pela história que me envolve a cada episódio e a frustração que tantos casais têm no que toca à infertilidade de uma das partes. Shonda esteve mesmo muito masoquista nesta temporada porque para além de matar Dell no final, matou a mãe de Betsy, Heather, no episódio 10 “Blowups”. Também é nesta temporada que Addison se liga a Sam e Violet consegue superar parcialmente o trauma e ligar-se ao seu filho, Lucas. Uma temporada madura, interessante e que, embora nalgumas alturas me fizesse bocejar, teve umas situações pára-arranca que tira, completamente, a adrenalina do episódio não favorecendo a série em nada.

Por último falo-vos de Supernatural. Com uma temporada que prometia ser a melhor, desiludiu-me. É certo que me manteve ligado até ao último minuto com toda a temática do Apocalipse sempre a surgir mas não esteve à altura da quarta temporada. Em certos momentos, Supernatural foi parada, sem dinâmica e muito feminina. Chateou-me e quando vi o final disse “Finalmente!”. O melhor episódio para mim foi o onze “Sam, Interrupted” onde os irmãos vão para um hospício tratar de um espírito que sugava o liquido cerebral para poder viver. Interessante foi ver o final que, embora a série tenha sido renovada, aquilo que pareceu um final de série. Ainda estou na dúvida se acompanhe a sexta temporada porque não estou a ver a série melhorar sem o seu criador, Eric Kripke.

Regressos: Realities

Este ano deixei-me levar por dois realities, American Idol da FOX e America’s Next Top Model da CW e digo-vos que é uma experiência a não repetir.

American Idol provou-se ser um bom programa nos primeiros episódios mas conseguiu-me entediar que nem sequer me dei ao trabalho de ver o final. Bastou-me ver os vários tweets e posts dentro deste mundo da Internet.

America’s Next Top Model, vi por entretenimento. Gosto da Tyra Banks e devo dizer que é uma excelente apresentadora e modelo. Tiro-lhe o chapéu porque, realmente, é digna. Por sugestão de um amigo, deixei-me levar pelo mundo da moda e da fotografia e desiludi-me. Foi uma temporada paupérrima e que me deu vontade de desligar, em alguns episódios. Os corpos femininos que, a cada semana, ia observando foram a razão de continuar a ver até ao fim e, consequentemente, ver qual seria a grande vencedora. Vi alguns episódios soltos de outras temporadas quando a minha irmã parava na SIC Mulher para ver e nada se compara ao ciclo catorze. Deveras que foi a pior temporada. E, dito isto, é mesmo uma experiência a não repetir.

E assim termino esta “breve” análise de uma temporada que, em regressos, deixou muito a desejar por parte de algumas produções. Será que a performance melhora? Muitas precisam para não serem ceifadas em Maio. Vamos ver o que é que as televisões nos reservaram e só aí se poderá avaliar o que foi melhorado e o que continua por melhorar.

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2 thoughts on “Análise: Temporada 2009/2010 (Jorge Pontes) – Regressos

  1. Apesar de não termos grande séries em comum (é uma mão cheia), concordo com quase tudo. Só acho um pouco exagerado TBBT, que esteve mais inclinado para o amarelo que para o verde. De resto, Bones esteve fantástica, Dexter e Fringe extraordinárias e Dollhouse uma porcaria.

    E, claro, parabéns pelo excelente texto. Uma posta ganha para o IP

    • Parece que a opinião quando a TBBT é muito generalizada. Mas que se passou? Eu achei que esta temporada 3 foi muito boa em termos de história e em termos de comédia em si. O final, não sendo dos melhores, já era necessário. Não podiam andar a empatar os amores de Sheldon por muito mais tempo… :s

      Guerra, esses teus elogios são mais uma força para mim 🙂 muito obrigado, deveras! 😉

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