Análise: Summer Season 2010 (Jorge Pontes)

Talvez seja um pouco cedo para falar da Summer Season. Contudo, como as séries estão a caminhar para o seu final a passos largos, já podemos começar a magicar qual será o final que as televisões americanas darão aos seus produtos de Verão. Numa altura em que poucas séries são exibidas e mesmo as que são tendem a perder a qualidade, vamos passar os olhos por aquelas que mais se destacaram este ano.

Summer Season: Comédia & Animação

Começo pelo regresso que muitos esperavam: Futurama. Desde a sua estreia que esta série me tem cativado em todo o sentido literal da palavra. Aqueles momentos futuristas, aquelas histórias loucas que só Futurama poderia tratar, enchem um Verão que prometia ser longo e entediante. Devo dizer que, embora não tenha visto os filmes feitos entre a quinta temporada e a sexta, Futurama é daquelas que se pode ver um episódio e ficar a perceber a história independentemente do que se passou anteriormente. Evolução, casamentos entre robôs e humanos, sátira ao Twitter a Apple, entre muitos outros temas, conseguem ser muito bem trabalhados e, em vinte e um minutos de episódio, consegue entreter.

Hot in Cleveland foi uma outra revelação desta Summer Season. Embora o piloto tenha sido bom, a restante temporada compensou alguns episódios que não tinham passado do razoável. Ver Betty White de novo em acção e em algumas cenas hilariantes e de chorar a rir, durante 10 episódios observamos a vida de três mulheres (mais Betty White) que procuram mudar a sua vida em Cleveland. Está já assegurada uma segunda temporada e não a vou perder porque o final deixou a história em aberto.

Melissa & Joey, a recente comédia do canal cabo ABC Family, é uma comédia que não se destaca muito. É razoável, temos alguns momentos cómicos mas nada de mais. Melissa Joan Hart está de volta ao pequeno ecrã (depois de ter ficado imortalizada como Sabrina, a bruxinha adolescente) como uma política local que contrata um baby-sitter de nome Joey que não é, nada mais do que um CEO completamente no fundo de um abismo. Ainda não me conseguiu cativar. Notei alguma falta de dinamismo e paragens na história que não gostei.

Por sugestão do administrador do Portal de Séries, Marco Braga, decidi espreitar a série da MTV, The Hard Times of RJ Berger. Em primeiro lugar devo frisar que, séries da MTV e eu não somos compatíveis mas esta é a excepção à regra. Em segundo, a MTV é a MTV e ainda não me habituei à leviandade com que ela trata certos assuntos. Em RJ Berger isso acontece. Os primeiros episódios são muito bons e fiquei agarrado à série. Contudo, os próximos (desde o 6/7), a série começa a cair no sensacionalismo até que fica melhor nos episódios 11 e 12 que, por final, são os episódios finais. Não se mostrou, como deve ser e espero que para o ano, a segunda temporada esteja bem melhor e que os assuntos tratados sejam mais diversificados porque focarem-se apenas na vida sexual de Berger ao longo de quase 7 episódios é obra. Jenny Swanson (Amber Lancaster), a paixão de Berger, é uma das razões pela qual vejo a série. É giríssima e tiro o chapéu à MTV por a ter descoberto.

Summer Season: Drama

Quanto ao drama, temos uma mão cheia de produtos. Comecemos pelas estreias deste ano.

Covert Affairs é a mais recente aposta do canal USA. Piper Perabo que interepreta Annie, uma agente da CIA juntamente com Christopher Gorham que interpreta Auggie, um cego e também agente da CIA seguram uma série que, desde que estreou tem feito para além de performances incríveis (em termos de números), tem criado uma história que nos envolve e nos faz vaguear pelos casos mais inteligentes e interessantes que a CIA alguma vez enfrentou. Com uma temporada primeira de doze episódios, Covert Affairs estará connosco até ao final de Setembro onde, possivelmente, veremos, parcialmente resolvido, o arco do seu namorado que para além de espião tem como objectivos de vida proteger a sua amada Annie que hvia abandonado um ano antes e escapar da CIA que o quer apanhar a todo o custo.

Numa zona mais teenager, temos a aposta da ABC Family, Pretty Little Liars que, ao início, não parecia nada de especial mas com muitos clichés. Contudo, fui aprendendo a gostar da história e de como os factos se desenrolavam ao longo dos dez episódios quem compõem esta temporada de Verão. Os restantes 12 virão na midseason.
Temos um grupo de 5 amigas em que todas contam os seus segredos mais escuros à principal, Allison. Contudo, esta desaparece e é encontrada, em sua casa, morta. Mais ainda, as restantes quatro começam a receber mensagens de um remetente que assina como “A” e que sabe tudo aquilo que elas escondem. Como o mistério foi desenvolvido, a série conseguiu cativar-me ao longo deste 10 episódios terminando em aberto e sem a revelação de quem era, realmente “A”. Voltará cheia de fogo na midseason e espero que mantenha a qualidade que demonstrou no Verão porque com 10 Things I Hate About You, isso não aconteceu.

Rizzoli & Isles, um procedural do canal TNT, embora procedural, tem-me chamado a atenção para os casos que, semanalmente, são mostrados durante aqueles 40 minutos. Gosto, particularmente, da química que Andie Harmon e Sasha Alexander demonstram pois conseguem ser uma excelente dupla. De um procedural não posso esperar muito. Porém, estou expectante que, no final da temporada que decorrerá daqui a três semanas, tenhamos um caso que se prolongará durante o resto da temporada dois. Aguça a curiosidade jogar com o espectador e com a história tornando-a, assim, o regresso mais esperado da próxima Summer Season.

Rubicon é uma outra série que pode ser muito boa e ter a sua própria maneira de evoluir mas, por mais que tente, continua a dar-me sono. Tento estar atento a cada pormenor, a cada reacção, mas a história é tão parada e tão lenta que quase que durmo. Para mais, a história é complexa e eu ainda não consegui perceber em que pé estamos na história. Sinceramente, não é série para mim mas vou continuar a acompanhá-la. Estou a tomá-la como idêntica à primeira temporada de Breaking Bad, uma temporada de preparação.

The Gates, o novo drama vampiresco da ABC, consegue ser bom e mau, ao mesmo tempo. A história principal baseia-se numa família que vem morar para uma comunidade de nome The Gates para poder mudar de vida após um escândalo policial em que o patriarca de nome Nick Monohan, esteve envolvido. Tudo é filmado, tudo é rico, tudo é, aparentemente, fantástico. Porém, lobisomens, Succubus, vampiros e todo o género de ser sobrenatural estão naquela comunidade. Parece uma comunidade de freaks! Os 40 minutos passam bem mas a previsibilidade é tanta que me chateia, por vezes, de ver. Não tem muitas hipóteses de sobreviver devido aos resultados que não têm sido dignos para o canal.

Nos regressos, contamos com a badalada Eureka do canal SyFy. Após ter visto a primeira temporada, Eureka deixou-me aquele bichinho e tive de ver as restantes que, desde já, aumentaram em qualidade de uma forma exponencial. Organizaram a casa em três temporadas e agora na quarta mudaram, radicalmente, o curso desta. Gostei de tal reviravolta porque trouxe um pouco o fulgor da série que havia sido perdido na terceira temporada. Esperemos que a temporada continue light, interessante e prazerosa de ver.

Também do canal SyFy, temos Warehouse 13. A sua história gira em torno de um armazém em Dakota do Sul que tem o objectivo de coleccionar artefactos com determinados poderes mágicos, que, em mãos erradas, podem ser maléficos.
Desde a sua primeira temporada, Warehouse 13 sempre me suscitou bastante curiosidade não só pelos objectos coleccionados como também pela história que era tratada. O seu regresso era há muito esperado muito por causa do final chocante que o SyFy criou para aguçar o espectador. Tem potencial e há, ainda, muita coisa para explorar. Está certa uma terceira temporada.

Partindo para o USA, o canal trouxe-nos, de volta Royal Pains e White Collar.

White Collar, que faz parte do bloco de terça juntamente com Covert Affairs, tem feito valores impressionantes, semana após semana. White Collar que terminou a sua temporada primeira em Janeiro do presente ano, deixou o espectador pendurado com o que teria acontecido com Kate. Neal Caffrey esperava poder, finalmente, estar com o seu amor e fugir de tudo e de todos quando este explode deixando pequenos fragmentos do avião. A segunda temporada está cada vez mais aliciante, mais madura, mais interessante e cheia de participações especiais que só aumentam a qualidade de uma série que, quando surgiu e mesmo agora, é inovadora.

Royal Pains é o drama médico de Verão. Com cenário de fundo, Hamptons, Hank, após um escândalo no seu hospital, decide tornar-se num “concierge doctor” fazendo, por isso, house calls, tratando os ricos e ficando reconhecido, naquele pequeno grande local. É light, é boa (não excelente), é de Verão. Nesta segunda temporada, todo o seu trabalho é intensificado quando uma outra mulher, Emily Peck, surge e começa a roubar os clientes para além de toda a problemática que envolveu Boris e a sua doença. Com um toque de drama familiar, Hank refresca-nos a cada quinta-feira, partindo para o Summer Finale dia 26 com promessa de voltar em Janeiro.

Por último, falemos de True Blood. De Allan Ball, True Blood mostra-nos um mundo onde os vampiros lutam pelos seus direitos na sociedade e onde estes já estão, perfeitamente, inseridos na mesma. Nesta terceira temporada ficamos a conhecer alguns segredos obscuros das personagens que têm vido a acompanhar o espectador desde a primeira temporada. A meu ver, face a outras temporadas, esta terceira tem estado fraca. Tudo previa que iria ser a melhor mas não aproveitaram a história e os pequenos detalhes da melhor forma. E o resultado está à vista: personagens secundárias sem qualquer nexo, histórias que me fazem dormir, detalhes colocados à pressão e a ver se encaixa… Não estou a perceber. O que outrora foi um produto de qualidade, está a mostrar-se muito fraco.

Summer Season: Off-Beats

Nesta última categoria vou falar-vos do mais recente The Big C, da Showtime e de Big Brother US.

A primeira pretende mostra-nos uma visão engraçada de ter um cancro e tudo aquilo que se pode fazer para se aproveitar os últimos momentos de vida. Gostei do que vi do piloto mas tenho medo que a série se torne monótona e que chegue a um ponto que não é nem comédia nem drama.

Já o segundo, Big Brother US, passou a ser (e como Marco Braga o diz) o “guilty pleasure” do Verão. Comecei, por sugestão do mesmo, a ver este ano e não estou nada arrependido. Aqui o voto do público quanto aos concorrentes não vale nada. São eles próprios que nomeiam e expulsam baseados no que vêm na casa durante o dia-a-dia. Vindo da CBS, não poderia esperar outra coisa: qualidade. E é muito doloroso ter de esperar pelo próximo episódio porque Big Brother US consegue ser viciante à sua maneira.

E assim termino a análise da Summer Season que está prestes a terminar. Sinceramente, a Summer Season foi bem melhor do que a Fall ou mesmo a Midseason e em termos de produtos conseguiu cativar-me mais. Será que, para o ano, a Summer Season será tão recheada quanto esta que passou? Esperemos para ver.

Amanhã a análise estará a cargo da Filipa Silva, a senhora FNL. Ela cá vos espera…e eu também. E, antes de mais, um enorme agradecimento ao incansável Jorge. Incansável é mentira. Ele é um bocadinho mais que incansável.

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2 thoughts on “Análise: Summer Season 2010 (Jorge Pontes)

  1. Apesar de ainda não ter formado total opinião, acho que a anterior Summer Season foi um bocadinho melhor que esta. Nesta tivemos quatro estrias boas (Rubicon, Sherlock, The Good Guys e Covert), mas séries muito fraquinhas. Mas também não é muito má…tivemos ainda 100 Questions e Persons a portarem-se bem. Claro que, das que vieram do ano passado, há uma ou duas más, mas foi essencialmente confirmações. Não houve nenhuma que melhora-se a olhos vistos.

    • Como não estive muito atento à Summer Season ’09 não te posso fazer comparações mas considerei esta uma boa season. Tivémos bons regressos e cheios de qualidade, Warehouse 13, White Collar, Royal Pains, Futurama e Eureka, estreias de sucesso, Big Brother US, Covert Affairs e Hot in Cleveland… Sherlock não vi, ainda! Estou a ver se ganho coragem… :p Rubicon estou à espera de algo mais dinâmico. Tem de crescer, é certo, mas estou muito à deriva quando a vejo…

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