Análise: Temporada 2009/2010 (António Guerra) – Regressos

Após a análise às estreias da temporada que passou, chega a altura de estender um pouco o texto e escrever sobre os repetentes. Ao contrário do ambiente escolar, onde os repetentes vêm com uma aura de mauzões, nem que seja unicamente por terem uns aninhos a mais que os copinhos de leite que entram para o novo ano (fica já dito que eu não tenho razões de queixas…até bombeiro houve na turma, para verem como a minha turma foi bem frequentada), os repetentes vêm, no mundo das séries, com uma aura de esperança. Esperança de que o ano seja melhor do que o anterior. É essa expectativa. Já se trabalha com uma base, tornando-se lógico a tentativa de apostar em algo maior. Assim sendo, e pegando de novo no estilo anterior, comecemos com a malta da comédia.

Legenda
Verde – Aprovadíssima
Azul – Passou
Amarelo – Passou à rasca
Vermelho – Reprovada

Regressos comédia

Contando-se pelos dedos os regressos neste lado. Eu iniciei-me neste mundo há dois anos, se quisermos levar ao extremo, visto que só a partir desse momento comecei a acompanhar a emissão norte-americana. Assim sendo, e vindo com uma bagagem de dramas e, mais especificamente, procedurals (Bones, CSI, House, Prison Break e pouco mais…), o lançamento foi feito para esse lado. Assim se explica a falta de comédias no meu leque o ano transacto. Para além da cancelada Worst Week, chegaram a este ano 6 comédias, se a memória não me atraiçoa. Comecemos pelas canceladas Better off Ted e Party Down. Ambas foram contratações já a meio da temporada, mas ambas boas contratações. Party Down tem uma comédia que não se enquadra tantos nos meus gostos (só assim se explica o passou, pois em termos de qualidade é comparável a BoT), enquanto Better off Ted vai ao encontro da estupidez que é preciso para me conquistar. Assim sendo, e partindo privilegiada, Better off Ted tem, de novo, uma temporada hilariante, apesar de não haver o brilhantismo que a acompanhou durante toda a primeira. Desta vez acompanhou durante parte da temporada, mas mesmo assim a comédia é muito boa e recomendável. Quanto a Party Down, apesar de não se inserir no meu estilo de comédia, ganhou um fã. A comédia é muito bem construída e, tal com BoT, apesar de estar uns furos a baixo, concretizou aquilo que esperava: excelentes momentos. Chega…

Fora estas duas, e continuando com as contratações, tivemos Californication adquirida no meio da terceira. Se, nos dois primeiros anos, a comédia passaria à rasca (diga-se a verdade que não foram temporadas brilhantes. Muitas idas para a frente e recuos…) esta temporada revela uma comédia muito mais madura, que surpreendeu claramente nesta temporada. Teve algo constante, conseguiu criar narrativas divertidas e colocar Hank em boas situações. E, claro, umas pitadas de drama para nos dar um gozo mais pleno. De resto, e já que falamos em comédias, temos o que para mim é uma pseudo-comédia: United States of Tara. UST é, para mim, um drama com pitadas de comédia. Assim sendo, e não indo ao encontro do que pretendo, a série foi a única fuzilada (depois consulto os apontamentos, por isso não se admirem que este comentário esteja incorrecto) durante o percurso.

Pois, de resto, temos as duas comédias da CBS que se mantêm de pedra e cal. Temos, primeiramente, How I Met Your Mother que teve uns furos abaixo do esperado. Os 5 aninhos que a série já leve já fazem se sentir nos joelhos e nas costas e, por vezes, é preciso ir-se ao médico. Apesar do 100th episódio, a série andou muito irregular, e assim sendo não passa claramente. Quem também não foi brilhante foi The Big Bang Theory que, apesar de ter um ano melhor que HIMYM, não atingiu tantos picos. Ocorreu aquilo que aconteceu com Modern Family e Community: Community tem melhores episódios mas também piores episódios e, por isso, acho a sua temporada pior. HIMYM conseguiu ter melhores episódios, mas também houve episódios piores que os de TBBT. TBBT tem a sorte de não ter uma narrativa “programada” e, assim sendo, não sofre tanto com a idade. Mas passearam bem este ano.

Regressos dramas/acção

Aqui deste lado há bastante para contar. Desde Dexter, passando por Breaking Bad, dando umas pitadas de Bones e chegando a Chuck, foi um ano bastante produtivo. Mas também houve as suas falhas…mas vamos ao que interessa.

Para tratar disto, vamos despachar os procedurals. Aquelas séries que se vão repetindo episódio após episódio, mas que toda a gente tem um fraquinho por um. O meu é claramente Bones talvez a primeira série deste género que vi e ainda vejo. Tendo um ano de novo com muito caso, a série deu-me outro motivo de apaixonar-me por ela. Os casos passaram, a partir do momento que não os tive de comentar, a algo interessante e sempre com uma tentativa de descobrir a chave certa para a fechadura. Depois temos B&B de novo a ribalta, com Angela (a lembrar-me da Angela Montenegro…one moment please…pronto, baba limpa) e o cabeludo mais conspirativo a aparecerem e, para além disso, temos Cam a ganhar protagonismo. Adicionar a isto o 100º episódio, que se mostrou fantasticamente bem, a série ganhou de novo uma nova moção de confiança. Por unanimidade.

Depois temos Castle que também ficou com as criticas pelo caminho para poder ganhar outro folgo. O ano foi bastante bom para a série do escritor, conseguindo ter episódios que roçam a perfeição que se admite a séries deste tipo (ou seja, episódios que enchem as medidas…) apesar de alguns menos cativantes. Mesmo assim, e acompanhar Castle e a sua companheira Nikki Heat, é sempre um prazer, nem que seja pela química entre ambos.

Depois temos dois antípodas: Flashpoint e Lie to Me. Flashpoint entra no ditado “Dos fracos não reza a história”. Parece que vi o primeiro episódio da temporada, mas foi pegar e largar, visto não me lembrar. Quanto a Lie to Me, é o melhor procedural da temporada. Porque que não tem o verdinho por cima? Porque, ao contrário de Bones, não me consegue fascinar tanto. Tem melhores casos, tem melhores arcos, mas falta-lhe um par que dê vida. Cal é grande, mas não gigante.

Para acabar com esta área, temos The Mentalist. Que caiu nos mesmos erros da primeira temporada e, por isso, está amarelada. Fazer que esperemos 10 episódios para ver Red John é um bocado demasiado pois a série não consegue, ao contrário de Castle, Bones e Lie to Me, ter casos que apaixonem. É ver Patrick Jane e pouco mais…e a menina bonita do elenco também não vale por aí além. Assim é um bocado complicado…

Ficando isto tratado, vamos para outras paradas. Vamos começar com o vermelho mais encarnado (de em carne…ou seja, morto) desta lista. HEROES. Com maiúsculas e tudo. Para ver como a série foi má…Se a Syrin tinha como banda sonora a série, eu tinha como melhor comédia do ano. E aquela que me proporcionava as melhores reviews. Heroes tornou-se o meu alvo de chacota preferido pois, se a série vinha de uma temporada má, esta foi ainda pior. Difícil, mas só possível para os grandes (m*erdas…o asterisco devia tapar o “e”. Sorry…). Tim Kring e sua equipa conseguiram o impossível. Eles é que são heróis.

Outra quem não teve um ano famoso foi Dollhouse. Após um primeiro ano bastante complicado, este segundo ano da série não foi muito melhor. Há bons episódios, mas isso não chega para limpar a mancha do final. Foi uma aposta furada, claramente, não ficando grandes memórias da série. Foi uma mera casa de bonecas para as crianças se divertirem. Quem queria algo mais não tinha por onde se contentar.

A tremer como gelatina tiveram duas séries: House MD e Big Love. Big Love teve, nesta última temporada, uma “telenovalização” que transformou a série em algo sem sal. Muito previsível, muito “drama de Maria e Manel, ou os novos nomes que a TVI arranjou para as telenovelas”, muito choro e muito exagero. Para uma série que se mostrou com os pés bem assentes na terra durante as três primeiras temporadas, nesta mostrou-se demasiado lunática. Talvez a saída da abertura do espaço lhe tenha feito mal. Quanto a House, arrancou bem, mas parou muito no meio. Não teve o final fantástico que costuma ter, mas o início foi absolutamente brilhante. Ou seja, uma temporada muito irregular, mas muitos furos acima de Big Love. Mas House já esteve melhores dias…as dores de costas já não vão lá com Vicodin.

Fora isto, o ano até foi bastante bom. Comecemos por falar de Burn Notice que teve, na sua terceira temporada, talvez a melhor temporada da série até agora. A série do espião que anda espiado pelas ruas de Miami tem um ritmo muito interessante, e esta temporada teve um arco muito bem construído. Sendo da USA é sempre prometida acção, por isso é uma aposta sempre segura.

Já que se fala em acção, não se pode esquecer o terceiro aninho de Chuck que veio com um traço a vermelho de preocupação que passou para destaque. A série do espião mais nerd do mundo foi um dos salvadores do ano da NBC. Continuou a crescer e, apesar de não atingir os níveis da segunda temporada, tem uma primeira parte bem pensada e uma segunda parte “arranjada à pressão” mas muito bem conseguida. E tem a Yvonne, que chega para lhe dar o verde. Mas a série é muito mais…por exemplo, a Ellie e a Irina.

Se falamos em mulheres bonitas, temos de passar por este ano em Friday Night Lights. A série pela qual a Filipa me apontou uma pistola na cabeça para ver deu, de novo, um ano muito bem conseguido. A série tem o problema da renovação, mas consegue-o resolver muito bem, caindo de novo em situações passadas mas sempre com um novo ângulo de vista. E é isso que a torna única, para além dos excelentes actores. Uma temporada muito certinha e com um final apaixonante. E, claro, o futebol ajuda sempre…

(vejam esta ponte…) Se falamos de futebol, a corrupção tem de vir ao de cima. E nada melhor que Patty Hewes para a combater. Damages tem um ano mais regular que o anterior (que continuo a não pintar tão negro como muitas vezes vejo), apesar de o caso ser muito mais confuso e a divisão das personagens a não favorecer nada para o melhoramento disso. O João Paulo vai matar-me mas faltou à série um pouco de cabeça, de tentar construir uma narrativa bem presa. Pois a pressa foi inimiga da perfeição e a tentativa de aumentar tanto o leque de narrativas tornou a série uma confusão. Percebe-se que a malta por de trás da série queria dar-nos melhor ano que o anterior. Isso foi conseguido…mas não tão conseguido como a primeira temporada.

De resto, e após uma primeira temporada regular, Merlin volta para esta segunda com uma tarefa ingrata. Mesmo assim consegue dar-nos mais uma muito boa temporada, passada nos tempos medievais, com um arco muito interessante que foi safando a série de pequenos percalços que foi tendo. E, claro, temos o final que deseja muito…vamos ver o que sai daqui.

Já que falamos de pós-caloiros, temos de falar deste segundo ano de Fringe. A temporada que surpreendeu meio mundo e deixou o resto a pensar se existem outros universos. A série ganhou o ano só por ter mudado de paradigma, conseguindo dar mais episódios que tenham algo de contínuo. E, para além disso, que preencheu grande parte da segunda parte da temporada, temos uma série muito mais madura nos casos, conseguindo dar-nos outro vislumbre do que é possível haver. E temos o episódio mais metafórico da temporada, que dá ainda mais brilho. No fundo Fringe foi a série que mais cresceu e que mais completa foi.

Se Fringe dá-nos novos mundos, Lost dá-nos…novos mundos. A série que se passa na ilha teve, este ano, a sua última temporada, numa despedida que, devido às expectativas que deixou, talvez tenha sido prejudicada. A série acaba muito bem, mas tem várias falhas lá pelo meio e com uma divisão de personagens que em nada contribuiu para o bem de Lost. Andaram perdidos uns dos outros durante parte da temporada e, assim sendo, faltou consistência, só ganho perto do fim. Por isso não considerar este ano de Lost verde. É um azul muito marinho, é aquela série que mais se aproxima, mas ainda não chega. É um pequeno castigo dos erros cometidos.

Quem cometeu erros dos bons foi Dexter. A série sempre foi boa a cometer erros, mas em termos de personagens. Passo a explicar: a série sempre foi boa em fazer as personagens errarem. Pois todos os seres humanos erram. Assim sendo, e numa temporada de cortar a respiração, Dexter consegue ter a melhor temporada da série, com um final de sufocar. Poucas falhas podem-se apontar a esta temporada belíssima…mas muito mortal.

Para finalizar, quem ainda não morreu de cancro foi Walter White e, assim sendo, Breaking Bad continua. A série que retrata a vida de um produtor de meta-anfetaminas tem, a par de Dexter, a melhor temporada do ano e mantém a qualidade que tinha mostrado na segunda época de colheita. Nada muito mais a dizer da série que mais pormenores escondidos tem espalhados e, para além disso, consegue cativar sempre. Até quando uma mosca anda a esvoaçar…

E assim concluo a análise do ano. Agora podem dizer de vossa justiça. E já sabem: amanhã há mais opinião…Jorge Pontes é o senhor que se segue.

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3 thoughts on “Análise: Temporada 2009/2010 (António Guerra) – Regressos

  1. À semelhança do que fiz no post anterior, vou-me cingir, obviamente, às series que vejo:

    Californication: já não tenho uma ideia muito bem formada, visto que já não a temos há algum tempo. Mas tenho a ideia que foi a melhor. Assim como o final, que adorei. VERDE.

    How I Met Your Mother: tenho a sensação que não foi das melhores e que critiquei certos episódios, apesar que foi a temporada que se desenvolveu mais em termos da narrativa principal. Por isso: VERDE.

    The Big Bang Theory: foi a pior temporada. Ainda nem sei se hei-de assistir à próxima. Talvez continue só pelo Sheldon, a minha personagem favorita em todas as comédias. AMARELO

    Lie To Me: só vi o piloto, porque não gosto deste tipo de séries. não faz o meu estilo. Assim sendo, não darei uma cor, para ser justo.

    Fringe: Uma série que surpreendeu e muito! Muito superior à temporada antecedente. VERDE

    Lost: A última temporada foi cheia de emoções, principalmente desde o meio da temporada. Saudades! VERDE

    Dexter: Também com a melhor temporada deste o seu início. Não costumo suportar este tipo de séries mais lentas que o habitual, mas Dexter sempre teve como (me) compensar. Então o final nem se fala. VERDE

    Breaking Bad: Teve um episódio ou outro menos bom. Mas com outros perfeitos. VERDE

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