Análise: Temporada 2009/2010 (António Guerra) – Estreias

Como prometido, e para verem que este blog é minimamente cumpridor das promessas que faz, temos a primeira semana “temática”. Estas semanas surgirão quando o tempo não fizer de chuva ou sol. Ou seja, quando o tempo o permitir. E em que consiste estas semanas? Consistirão em 5 leituras diferentes sobre o mesmo tema. Desta vez é sobre como correu a temporada 2009/2010 (ou seja, de Setembro de 09 até Junho/Julho de 2010) em termos de séries. Os pontos positivos e negativos. Por isso, e como toca a mim encetar o campo, vamos ao que interessa. De referir que, esta semana, terei a companhia da Filipa Silva, do João Paulo, do Jorge Pontes e do Tiago Duarte.

2009/2010. A passagem da década para algumas pessoas, dois meros anos para outras, visto que para a década só começará em 2011. As séries não se chateiam por ser início de década ou não. É coisa que não lhes preocupa. O que preocupa é as audiências. Mas disso haverá melhor especialista. O que interessa para este marmanjo que vos escreve é ver como correu este ano. E, para tornar isto mais organizado, tratemos primeiro das estreias.


Legenda
Verde – Aprovadíssima
Azul – Passou
Amarelo – Passou à rasca
Vermelho – Reprovada

Estreias comédia/animação/Glee

Comecemos pelas comédias, que se podem dar por felizes no que toca a colheita que deram. As comédias são sempre um problema, visto que são sempre uma aposta de risco. Um bom drama consegue-se ver quase a olho nu, uma boa comédia é uma complicação dos diabos. Porque temos comédias que não se portam bem no primeiro ano e no segundo fazem um brilharete dos diabos ou comédias que no primeiro ano são geniais e no segundo são uma bela merda, sendo isto casos extremos. Isto porque as comédias, para além de dependerem da qualidade que colocam nos episódios, dependem também do humor de uma pessoa, da aceitação de certo tipo de humor, de “X”’s factores que, para os dramas, são reduzidos. Mas parece que se começa a acertar com a linha no buraco da agulha.

Apesar disso, e vendo as comédias que estrearam, ainda é preciso compor a graduação. Temos, primeiramente, Accidentally on Purpose, Hank ou a pior comédia do ano, Brothers. Hank e Brothers são claramente tiros muito mal dados. Sem piada nenhuma. Ponto final. Accidentally on Purpose pertence a um grupo diferente. Ao grupo de que, se entrarmos na comédia, gostamos. Eu, pessoalmente, não gostei do estilo de comédia. Mas reconheço que tinha pormenores interessantes, com umas piadas jeitosas e situações bem criadas. Outra que sofreu do mesmo mal foi How to Make It in America, que também não é o meu estilo. Reconheço, de novo, que tem qualidades. Mas não é a minha cara…

Assim sendo, daquelas que vi, foram as únicas. Um milagre aconteceu este ano, pois as uvas costumam estar muito mais podres. Comecemos pelo cacho mais doce, neste caso com Modern Family. A série conseguiu conquistar logo no primeiro episódio e demonstrou que a ABC sabe fazer comédias. Assim sendo, consegue manter um nível muito elevado durante a temporada, demonstrando uma comédia muito “simples” mas muito bem construída. Uma série que surpreendeu, para quem não tinha nenhuma comédia em vista. A segunda menina dos olhos é Community, que é muito mais irregular que MF. Temos uma comédia bastante divertida mas muito de pícaros. Isto vê-se claramente porque Community tem o melhor episódio de comédia do ano em “Modern Warface”, para além de ter vários episódios muito interessantes, mas depois não consegue manter o nível, caindo por aí. Sobe muito a montanha mas não arranja planalto para continuar.

The Middle é daquelas comédias normais. Nada de brilhante, mas que consegue ter um bom elenco, que segura muito bem a série, e um estilo de comédia interessante, com narrativas de novo bem construídas (é o que eu gosto mais em comédias. Ver uma história a crescer). Assim sendo, e apesar de ser pouco conhecida, temos aqui uma série muito interessante de ser acompanhada.

Depois há aquelas que não deixam saudades. Temos, nessa categoria, Bored to Death. Eu nem sei como aguentei ver a temporada completa. A série tem o seu ponto alto na abertura. A partir daí há bastante descalabro. Falta a narrativa, faltam personagens. Talvez o episódio mais interessante foi o final e, mesmo assim, não foi nada de especial. Foi uma comédia que acompanhei para ocupar espaço. E, apesar de me ter dado uma impressão inicial completamente diferente, não é maça rija…é até um bocado podre.

Antes de ir à caixa buscar a maçã mais podre da temporada, tratar da zona de animação, que este ano só tem um elemento. Archer é a única série de animação nova que entra nas contas e mostra pormenores interessantes. É um estilo de comédia esquisito, que eu não me via a gostar, mas que me fui apaixonando. Para além de que, claro, qualidade não falta. Uma comédia também interessante para quem gosta de algo fora do comum.

E chegamos a estreia de Glee. Que fiz questão de diferenciar. Glee não é comédia. Glee é algo que não cresce, é género um parasita que vive em função dos prémios. Um dia destes hei-de dizer mais umas quantas verdades, mas escrevo aquilo que continuo a defender: Glee só é comédia se considerarem os risos que eu dou ao ver as nomeações que ele tem. De resto, temos uma primeira parte fraca e uma segunda parte sem adjectivo, para não ofender. Mas Glee é maçã podre…O que é para admirar é como os americanos gostam de fruta podre e que, mesmo podre, consegue vender. Algo se passa pelos intestinos daquela malta…vem aí diarreia da grande.

Estreias drama/acção

Em drama o ano também foi interessante, mas visto tudo o que vi, vou focar-me nas séries que tomei mais conhecimento. Para abrir temos Caprica, a série que vinha rotulada como a seguidora da grandiosa Battlestar Galactica. Não se viu qualidade para isso, mas não me irei estender, visto que virá também um especialista na matéria. Digo unicamente que lhe faltou ritmo, muito devido à falta de acção e isso sentiu-se. Caprica é bom, mas foi prejudicada pelo rótulo.

De seguida temos as duas séries que tentaram ser substitutas de Lost: V e FlashForward. Séries com características diferentes, mas que se aproximam no estilo, V demonstrou-se muito mais regular que a sua adversária. Apesar do tema, e de alguns erros de palmatória, teve uma temporada bastante regular e boa. Para quem não tiver nada para ver é um bom momento. FlashForward não posso dizer o mesmo. Foi muito mais uma temporada de altos e baixos. E também sofreu com o rótulo. Assim sendo, a série teve um fecho minimamente interessante, mas teve muitas quedas pelo meio. Entre as duas a minha escolha cairia por V, mas não é grande série para ver também.

Human Target é daquelas séries que tem arranque mau mas demonstram muito boas. A série de acção consegue ter uma temporada muitíssimo interessante, com narrativas muito bem construídas, boas personagens, demonstrando-se algo refrescante para a temporada. Uma série com selo de qualidade…não engana.

Para além desta, e inserindo-se também nesta zona, temos White Collar. Tem uma entrada um pouco fraca também, mas também vai crescendo. É muito mais parada e “inteligente” do que HT, ou seja, vai buscar muito mais conhecimentos desnecessários. E isso torna-a, por vezes, enfadonha. Mesmo assim consegue demonstrar pormenores interessantes, com um excelente protagonista.

Antes de ir para as grandes estreias, temos os procedurals para arrumar. E nesta área não se viu grande coisa. The Forgotten teve uma estreia fraca e demonstrou uma temática desinteressante. Cortaram-lhe logo as pernas no começo. Past Life ainda pior teve. A temática é péssima para um policial, envolvendo o sobrenatural. E eu detesto isso.

Sendo assim ficamos com o melhor para o fim. E a melhor estreia do ano é uma série desconhecida por meio mundo e encoberta para outro meio. Desaparecida no meio de tanta série, apareceu uma coisa na TNT chamada Men of a Certain Age. E é daí que surge a melhor estreia em termos de dramas. Contando a história de quarentões, a série tem uma narrativa bem divertida mas com o drama sempre presente. Uma história muito bem construída com um elenco muito seguro. Para ver sem medo…confiem.

Continuando na cabo temos um conjunto muito interessante de séries. The Pacific, apesar de mini-série, é de uma qualidade excepcional e que merece destaque em qualquer lado. Podia colocar tudo o que ele consegue, mas chega dizer que é o melhor produto da TV. Só por ser mini-série é que não entra, para mim, nas contas para melhor série do ano. Que faria top-3 do ano, com certeza.

Depois encontramos duas séries. Treme, que também é muito interessante e é uma pérola em termos dramática. A história tem um pano muito seguro e, para além disso, tem uma dupla de génios por trás a escrever. Outra muito recomendável. A segunda é Justified, por quem eu também não dava nada e surgiu uma maravilha. Eu gosto de cowboys, mas a vida do policial do chapéu que dispara com precisão do mundo é muito bem construída e também com actores que solidificam a matéria. Já se sabe que a HBO e FX, neste caso, se portam muito bem. Mais dois exemplos.

Em termos de sinal aberto, também ficam duas para o final. The Good Wife é a primeira, demonstrando uma série muito madura para o primeiro ano. A carga dramática, adicionado aos casos semanais interessantes e a renovação continua que a série sofre, para além das fantásticas personagens, tornam-na num produto também muito seguro. Depois vem a surpresa. Parenthood não é nada de especial. Tem um elenco muito bom, histórias divertidas, mas nada de especial. Mas ganhou lugar especial, visto que vem preencher um vazio em termos de séries deste tipo. E por isso também recomendar, apesar de não a achar brilhante.

E aqui ficou a análise às estreias. Mas, para vocês ficaram desmoralizados, ainda sairá hoje sobre o resto das séries. Esperemos que uma análise mais pequena, que isto dá muito trabalho a rever.

PS: Duas notas. Primeiro agradecer ao Ricardo Lima por me ter revisto isto e, segundo…eu não sei escolher imagens para iniciar os textos.

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3 thoughts on “Análise: Temporada 2009/2010 (António Guerra) – Estreias

  1. Ui, eu revi isto tudo? Nem dei conta que era tanto. Quando o texto é fluido…

    Vou comentar, numa palavra ou duas, as que vi:
    Glee: de acordo.
    Caprica: daria vermelho.
    FlashForward: daria azul.
    Treme: daria amarelo.
    Apesar de ter deixado Caprica e Treme a meio.

    Gosto deste tipo de revisões de séries. É mais prático. Mais útil.
    Congrats.

  2. Como só acompanhei Glee, só vou falar desta: Glee aparece como uma série musical com traços de humor. Faz-se claramente valer de um elenco excelente na premissa que a série tem: entreter com música. Portanto, concordo, Glee é algo à parte, um estilo que não se viu na televisão desde há muitos anos. Mas lembro-me de ir ver o Mamma Mia ao cinema e os meus colegas queixarem-se que aquilo era uma história básica com música em tudo o que era canto (repare-se no trocadilho).

    Glee foi recebido com alguma estranheza, ganhou um lugar com músicas redescobertas e extremamente bem interpretadas. Mas o humor está lá. Em grande dose, aliás, com a Sue Silvester. Depois temos tiradas completamente geniais de outras personagens, sempre no estilo do humor negro e no ênfase dos esteriótipos das personagens – as burras, as ingénuas, as manipuladoras, …

    Com o início da 2.ª parte da 1.ª temporada o factor comercial da série falou mais alto. Criaram-se episódios completamente falhados, como o especial da Madonna, em que a história era feita a partir das músicas e não foram as músicas a caber brilhantemente na história. Teve muitos baixos da 2.ª parte, alguns pontos mais altos, mas abaixo, muito abaixo das expectativas.

    Glee veio colmatar um espaço. Não havia musicais em televisão com esta dimensão. A série conseguiu aquilo a que se propôs e nisso ganhou mérito. Quanto às nomeações, acho justas. Glee esteve entre o melhor que foi feito. Talvez não “o” melhor, mas suficiente para estar num leque apertado de melhores. Não ganhou com justiça mas fez-se representar.

    As potencialidades estão lá. Vamos ver como continua.

  3. Excelente Review (como é normal)!!!

    Só não concordo num ponto e sinceramente não percebo o porquê do “amarelo” para Glee. Como eu gosto de dizer “cascas forte e feio” em Glee, e com toda a razão, pois é um autentico parasita que não tem qualquer rumo, só que depois para minha surpresa leva um amarelo. Gostava de saber porquê? Eu por mim levava um vermelho e já era simpático. De resto concordo na generalidade com as tuas opiniões

    Abraço e continuação de excelentes reviews, sempre com essas metáforas que assentam que nem uma luva!!!

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