Human Target – 1st Season

[Sem tiros…nem spoilers. Só explosões] Acção. Quem não gosta de umas pitadas de explosões, de armas a serem disparadas a velocidade da luz e perseguições, seja de carro ou de mota? Sim, sem ser o João Paulo, que é um gajo esquisito (mas muito porreiro…tem de se dizer a verdade), todo o pessoal gosta. Gosta daqueles filmes que se come e deita fora. Que, naquela 2:30 se adora mas que, cá fora, se diz que não achou nada de especial. Mas que toda a gente gosta de acção não haja dúvidas. Toda a gente gosta de ver carros explodir (por alguma razão se para nos acidentes. Espera-se que essa pitada de acção ocorra), gosta de ver armas a disparar, excepto se for a 3D, pois é capaz de ficar com um torcicolo, ou perseguições (de novo os portugueses são exímios a afirmar o seu gosto pela acção: para além das explosões, também fartam-se de parar nos acidentes para ver se saem de lá pessoal a disparar, após uma perseguição. Outra prova é a variedade de noticias que fazem com perseguições nos States. Já se sabe que aquilo vai acabar com o carro metido na bancada da fruta, mas tem-se sempre a esperança que o condutor saia do carro e dispare contra ele (veiculo) para o ver explodir). Por isso a acção é aquela coisa que todo mundo gosta. Mesmo que não o queira admitir.

Human Target é daquelas séries que tem tudo para ser amada, dos 8 aos 100, porque daí para cima a vista já não é a mesma coisa. Mexe com a acção, que já teve uma introdução toda pomposa, o que faz dela logo uma série intemporal neste tempo que passa. Em termos de cinema faz-me lembrar James Bond, com as suas Bond Girls, e com um ritmo alucinante sem alucinantes. Alucinante é a personagem de Mark Valley, que passou de morto-vivo em Fringe para um vivo-quase-sempre-morto. Mas é sempre melhor vê-lo assim do que com a pele descamada em Fringe. Encarna Christopher Chance, a personagem principal da série, o que o torna o Impossible Men. Chance é daquelas pessoas que se chama quando o mundo está virado ao contrário e o sangue continua a ser bombardeado para a cabeça. Quando não parece haver solução possível. A solução para problemas irresolúveis e que misturam armas.

A série é assim que se apresenta. E, se referi que a série é para ser vista por malta de 8 anos é mesmo por isso: pela apresentação. Pois, durante os dois/três primeiros episódios, a série cai em erros cómicos. A série parece entrar, em vez do mundo da acção, num mundo de acção animada. Onde tudo é possível. Eu, na única review que fiz de Human Target, referi-me a ela como uma acção nonsense, sem uma base realística mínima. Mas, e passando os primeiros murros, Human Target começa a aprender a dar também. E dá uns pontapés magníficos.

Então, após esse passo em falso, que quem seguir o meu conselho e vir a série, deverá passar por cima (ou seja, ver os episódios mas não deixar logo a série pelos erros), os episódios seguintes começam a ser um vício. Os motoristas de serviço, pois a Chance temos de adicionar Guerrero, o bigodes da série que tem contactos com todo o mundo e que se torna uma peça interessante no puzzle, e Winston, o “patrão” que é desrespeitado a cada esquina por Chance, mas que também traz uns conselhos interessante; fazem o comboio arrancar. A série ganha, a partir do 4/5 episódio, um nível interessante. Não que os casos não tenham sido interessantes até aí. Foram. Mas a série larga dos erros e começa a tornar os casos, para além de mais realistas, menos previsíveis e mais inteligentes. Junta-se a fome à vontade de comer. Juntando a tudo isto as missões cada vez mais interessantes e extremas que Chance tem de passar, e as soluções que encontra, temos o caldo pronto. Faltava a pedra…

E a pedra é colocada. Ou melhor, umas quantas pedras, pois a sopa é de categoria. A primeira pedra que vem abrilhantar mais a série são as meninas. Espalhadas em cada caso existe uma garota toda jeitosa que, por vezes, mostra as pernocas. É o que interessa para aquilo ficar mais animado. Esta inserção de uma rapariga em cada caso gera uma continuidade descontínua muito interessante. Isto porque temos sempre uma parte feminina para equilibrar as contas, mas que muda a cada caso. Assim vamos vendo pernas novas. E dá para comparar…

Outra pedra que vem adocicar mais a sopa é Guerrero e Winston, que andam sempre as turras, mas são a risada geral. Os diálogos entre ambos são fantásticos, dando um clima “desportivo” e divertido à série. Ou seja, mistura-se de novo a sede a vontade de beber. Equilibra-se as contas mas, mesmo assim, mantém-se a acção, visto as funções verdadeiras que estes dois senhores têm na série.

Terceira pedra no caldo que vem apimentar um pouco, mas melhorar, são os clientes. Muito bem construídos, ganhamos logo empatia com eles. E, se isso não basta-se, temos a 4ª pedra. A final, mas talvez a melhor. A que torna a série regular. Um arco narrativo construído à volta da série que culmina no episódio final. Pois, para além da acção que temos misturada, temos aquele arco, que nos dá noção de continuidade.

Depois temos o sal, que são os truques que vão acompanhando as viagens de Chance adicionadas a brilhante banda sonora. Tornam ainda mais interessante a série, abrilhantando-a ainda mais. Dois pormenores que, por vezes, fazem toda a diferença.

No fundo Human Target é daquelas séries que tem tudo para gostarem. Tudo mesmo. Tem acção. Chegava. Mas tem muito mais…muito mesmo. E é no muito mais que a série ainda se agiganta mais. É um vício semanal indispensável. Por isso vejam…antes que o Mark Valley vos venha ameaçar com uma arma. Pronto. Não é preciso tanto…mas a barriga do Winston também mete algum medo, acreditem.

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