Doctor Who – 3rd Season

[Atchim…ou melhor: Spoilers. O atchim foi do pó…já devia ter escrito isto há um tempinho valente. E já se sabe como a alergia é tramada] Eu sei que, em certa parte, me volto a repetir quando falo em Doctor Who. A série tem um sempre a mesma base e, sendo assim, as estruturas variam, mas sempre “inclinadas” para o mesmo sítio. Mas vamos repetir. Pois, quanto mais se repete, mais vocês ficam convencidos, se já não estão. Se uma mentira que, repetida até à exaustão, se torna verdade então uma verdade, repetida umas quantas vezes, fica ainda mais verdadeira. E é isso que sinto também a ver Doctor Who: que a série é cada vez “mais boa”. Melhor não, porque já é muito difícil o ser. Mas tomo uma consciência de como esse “melhor” fica expresso. E é nesta terceira temporada que, claramente, consigo ver a série a dar mais um passo em frente. Um passo para Buzz Lightyear com a sua deixa: “To infinity and beyond…”.

Após a partida de Rose, que comentei na review da temporada passada, ficava um buraco por preencher. É difícil preencher buraco da menina loira baixinha que, depois disto, foi fazer de prostituta de luxo. Rose era a protectora, o contrapeso do magro Doctor. Assim, com a sua partida para um universo alternativo, Doctor, senhor do tempo, sente-se órfão. Esse sentimento é igualmente partilhado por todos os espectadores. Doctor Who sem uma menina bonita ao lado do David Tennant não é Doctor Who. Assim sendo, e para felicidade para todos, é dado logo no primeiro episódio da temporada as boas vindas a uma senhora que, em termos de beleza, fica aos níveis de Rose Taylor (ou talvez ultrapasse…decidirei quando a vir como prostituta de luxo 🙂 ) e que, para além disso tem um nome bonito. Martha Jones. Assim se chama a nova companheira que viaja entre as estrelas.

A introdução de Martha é feita logo no primeiro episódio da temporada. Pelo meio existe uma senhora, de nome Donna Noble, que passa repentinamente pelo especial. Mas Martha é a ponte certa. Donna seria (isto é um verbo mal empregado, visto eu estar a acabar a quarta temporada…para verem como minto de uma forma razoável) algo demasiado maduro. Rose era uma criança, Donna seria uma adulta. Assim sendo pegamos na adolescente Martha, uma rapariga negra que, se não disse, é bem bonita por sinal, introduzida num episódio com rinocerontes embutidos pelo meio. A primeira viagem a lua…a partir daí foi viajar e viajar um bocadinho mais.

Viajamos por mundos por descobrir, passando pela morte da Face of Boe, por um episódio magnífico que se intitula por Blink (já lá irei…só uma palavra. Perfeito) até a season finale. No meio de tudo isto, comecemos então por estudar esta nova parceria. Doctor não aceita logo Martha, como já era expectável. A ligação com Rose era demasiado forte e, assim sendo, a sua partida é recordada pelos circuitos da TARDIS. Martha vem com cara de substitua, apesar de Doctor lhe dizer que Rose é insubstituível. Concordo absolutamente. Martha demonstrou, durante a temporada, que é diferente de Rose e, logo, não uma substituta. Não encaixa nos mesmo parâmetros que Rose se encaixava, não tem a função de Rose. Rose era a sonhadora, talvez numa ironia completa, visto que Doctor é o sonhador nato. Mas Rose era a sonhadora no sentido de ver sempre o bom das pessoas. Isso notou-se na primeira temporada, no primeiro contacto com o Daleks, por exemplo. A partir daí a personagem cresceu. Isso é notório na forma como já era muito mais afastada. Mas, mesmo assim, conseguia ter sempre aquele lado próximo com tudo o que entrava em contacto. Martha não é assim. Primeiro porque tem de descobrir o novo mundo. Esse contacto e o aceitar ainda leva algum tempo, apesar de o primeiro caso com que se encontra já seja duro, ou seja, é algo pesado visto ter contacto com dois seres extra-terrestres. Após a inserção de Martha ela revela-se, como já escrevi, uma adolescente comparada a criança que era Rose. Não tem aquele lado sonhador, de não haver mal no mundo. É muito mais real, mas consegue ter ainda esse lado sonhador a puxar. É um meio-termo. A adaptação da série a esta situação dá-se, primeiramente, com casos mais confusos e maduros e com um Doctor mais divertido. Isto permite equilibrar de novo a balança, para além de nos dar excelentes momentos. E, claro, de novo glorificar David Tennant que está de novo magnífico. O papel não foi feito para ele mas ele foi feito para ser o Doctor. Claramente.

Pronto. Com Martha Jones inserida na série, com Freema Agyeman também muito boa em termos de representação, a série arranca. Até que eu paro no Blink. O melhor episódio da série, se retirarmos as season finale’s. E, se as incluirmos, fica quase de certeza no top 5. Blink é um episódio que consegue jogar com todas as características de Doctor Who. Todas mesmo. Primeiro as viagens temporais. A série sempre soube aproveitar bem, deixando de lado todos os paradigmas que a rodeiam. Já escrevi que, para Doctor, os paradigmas são mero passeio por onde a série passa. E passa por cima. Assim, utilizando a possibilidade de viajar para o passado, Doctor consegue aparecer em DVD’s, conseguindo assim salvar uma vida. E, claro, depois todas as mensagens. Blink é daqueles episódios que mistura o “medo” que Doctor tem de transmitir. Pois, neste episódio, não há o sempre omnipotente para ajudar. Existe a luta entre humanos e extra-terrestres. No fundo é o melhor episódio de DW porque o Doctor faz uma participação “especial”. Blink é daqueles episódios que, quem quiser iniciar com a série e tenha dúvidas, poderá ver. E, seguramente, gostará.

Depois de Blink a próxima paragem é na season finale, composto por uma trilogia. Neste conhecemos o segundo inimigo de Doctor, segundo a contagem que no outro dia um site fez. The Master é o penúltimo Time Lord, conseguindo também sobreviver a luta entre os Daleks e os senhores do tempo. Mas o Master tem uma mentalidade totalmente diferente. Em vez de assistir à história impávido e sereno, mexe com cada cordelinho do mundo. Torna-se, assim, o problema maior para o mundo. Vemos então Martha Jones a viajar pelo mundo, enquanto Doctor fica cá no céu preso. Preso na luta contra a velhice, após ter perdido com o Master. Até que, pelo dom da esperança, tudo acaba em bem. Doctor recupera a forma e consegue arruinar o reinado do louco Time Lord. Que acaba por morrer, deixando de novo o nosso menino sozinho no mundo. Um episódio muito simbólico, um final muito bom de se ver.

Com o final também Martha fica pelo caminho. É a despedida. Foram bons os momentos passados com a doutora, que agora está doutorada em outros assuntos. Martha também deixará saudades. Não tantas como Rose. Pois o primeiro amor é sempre o primeiro. Mas deixa. Pois, tal como as todas as personagens de Doctor Who, a menina negra é muito bem construída, com pormenores fantásticos. E, claro, aquele sentido de andar pelo mundo a espalhar a esperança é a melhor forma de a recordar.

Um último apontamento para o Captain Jack Harkness. Primeiro para a sua imortalidade, após um “erro de percurso” de Rose. Depois a sua transformação na Face of Boe. É um bom sentido de continuidade, algo que a série consegue muito bem, e dá para seguir com mais atenção ainda os passos desta mesma. Esta forma que a série arranjou de explicar quem era o mais antigo ser do universo é muito bonita. Para além de também ser uma despedida, visto que morreu. Mas, com todas as viagens, ainda espero encontrar o capitão. Que é outra personagem fantástica no mundo do fantástico Doctor.

Assim, com uma temporada de novo em alta, a série consegue dar-nos mais e mais do que é a série. Viajar com o Doctor não traz enjoos e, para além disso, diverte como tudo. Assim é um gosto visitar os homens-gatos…algo não muito difícil dos tempos, visto que existem, como dizem os meus companheiros do outro lado do Atlântico, (mulheres) gatas. Eu, pessoalmente, gosto mais das últimas. Mas não descrimino que goste de alguém com um bigode um bocado comprido.

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