Covert Affairs – Apresentação

Os meninos de Londres, chamados de Coldplay, tem uma música que se intitula de “Spies” e reza assim a letra: I awake to find no peace of mind / I said, how do you live as a fugitive. E, de seguida: And the spies came out of the water / But you’re feeling so bad ‘cause you know / But the spies hide out in every corner. Covert Affairs tem, destes dois versos, duas características. A fuga da protagonista do passado e a vida de espião. Mas vamos por partes.

Embrião da USA, talvez a melhor emissora de cabo que por aí anda no que toca a séries que divertem, visto que nos dá séries como White Collar, Burn Notice ou Royal Pains, Covert Affairs vem na onda de séries que tem cara de verão, mas que escondem uma faceta um pouco mais ampla por trás. O piloto, de 1 hora, serve como apresentação. É preciso criar personagens consistentes logo nas primeiras cenas, é preciso aproximarmo-nos destes. É preciso de criar narrativas passadas, ou pelo menos abrir terreno para esses lados. É preciso ter, para além disso, ritmo que faça com que a série deixe saudades. O piloto, a par do segundo episódio, onde as verdadeiras características vêm à tona, e o final, onde tudo o que foi pensado é concretizado, é o episódio mais importante da série. Assim sendo, e medido Covert Affairs unicamente pelo piloto, vemos algo consistente. Não é brilhante, pois não nos dá logo personagens que aprisionem sem mais largarmos. Mas, para uma série que pretende, no fim de tudo, divertir, a série dá um piloto onde todas as linhas que referi em cima são tratadas e deixadas a lume brando.

Comecemos pelas personagens. Tendo uma protagonista que, claramente, vai ser o epicentro da série, CA aposta numa plataforma que vai rodando a medida das necessidades da série. A protagonista não me prende automaticamente, pois aquele flashback não sabe muito bem, para além da sua ida para a CIA. Mas, fora o passado, que espero que ainda venha a ser tratado na série e, consequentemente, limpar a imagem que me deixou, a personagem tem uma história engraçada. Primeiro por ser mulher num mundo de homens, o que dá logo uma ligação. Porque tem de se impor, algo que todos temos de fazer, para além de ser uma rapariga esbelta. Adicionando a isso a forma como ela consegue desenvencilhar-se no trabalho, torna-se uma ligação espontânea. A maior dificuldade que acho que a série enfrenta, aqui, é a forma como vai conseguir dosear as duas narrativas a volta desta menina de cabelos loiros, algo que também está muito intrínseca na narrativa, e a situação familiar. Aí sim, estou a ver alguns problemas que podem resultar em favor da série, se os dados forem bem jogados, algo que parece que ocorrerá. Digo isto devido à situação que ela passa no trabalho, com o confronto da sua vida laboral com a familiar, mais propriamente com o ex-futuro namorado. Este cheirinho fez-me pensar em outras coisas. Já lá irei.

Continuando com as personagens, e passando para a plataforma redonda que está a volta da protagonista. Primeiro temos o que eu espero ser o co-protagonista, ou pelo menos o secundário principal. Falo do rapaz cego (ainda não estou grande coisa com nomes…), que talvez seja o trunfo da série para diferenciar do restante. A introdução desta personagem não é fantástica, de uma genialidade fantástica. É de uma simplicidade enorme. Pois, tal como todas as mulheres gostam de um cego, todos os espectadores ligam-se logo à personagem. É daquelas personagens que eu espero vir a crescer, revelando-se aquilo que promete: uma forma de escape da série.

De resto, falta falar de três núcleos duros de personagens. Continuando com a CIA, temos os chefes, que são casados. Este pormenor não foi, no meu modo de ver, um ponto positivo. Pois servirá como ponto de escape desnecessário para a série, como se viu no episódio. Uma quebra do ritmo. Vamos ver se continuam a forçar neste, ou arranjam forma de esquecê-lo, como tentaram ao “fechar” o possível caso do marido. Mas aposto que o fogo não está totalmente apagado e ainda haverá incêndio. Veremos.

O segundo núcleo é o menos importante desta plataforma rotativa. São as personagens terciárias, aquelas que aparecerão como convidados especiais. A série é propícia a isso, mas tem de ser bem jogado. Neste episódio foi bem jogado, mas haverá episódios onde o tiro sairá pela culatra. Vendo o que CA fez no primeiro episódio, acho que serão poucos. Mas é algo a ver.

O terceiro núcleo é a família. E é aqui que vejo a maior faca de dois gumes da série. Tanto pode ser bem utilizada, como foi em parte deste episódio, no caso do namoro, como poderá trazer consequências negativas, algo pouco visto, mas que tivemos alguns exemplos. O primeiro nem foi com a família, mas sim com o professor que a protagonista consulta. Estas ligações ao exterior vão chegar à família. Vamos ver quanto tempo a série demora a fazer encontrar o trabalho com a vida familiar. O segundo problema que vejo é nas crianças. Pois são essas que me estão a deixar um pouco preocupado, visto que a maioria das séries vai tentar ir aí arranjar problema. E problemas de crianças em CA não estou a ver como se encaixará.

Para além disso, e tendo como exemplo o já falado encontro com o ex-futuro pretendente, aquele momento deixou-me um pouco preocupado. Pois é a prova que aquele encontro laboral/familiar vai ocorrer. A série poderá tirar boas narrativas daqui, mas já abrir o jogo para esse lado, ainda tão cedo no campeonato preocupou-me um pouco. Veremos.

Feita esta análise às personagens, temos a narrativa. Os famosos casos, que preencherão grande parte de CA, se seguir os modelos das suas contemporâneas. Assim sendo, e vendo unicamente este primeiro episódio, a série promete. Vai ter um estilo muito próximo de Burn Notice, com tiros, ritmo. Talvez faltará um pouco de comédia para compensar, mas acho que a série vive num meio totalmente diferente de BN. Assim sendo, e se aproveitar bem a protagonista e não tentando reviravoltas rebuscadas, e tendo o cego como um ponto seguro, a série poderá conseguir dar bons momentos.

Para acabar, e sem surpresas, o arco da série. Desde o primeiro momento em que conheço a história da rapariga, pensava aquilo que se viria a concretizar. Pois era a forma mais fácil de criar uma certa inquietação nos espectadores, que agora querem ver mais. Mesmo assim, e apesar de já esperar, acho que é um passo seguro. Segue as pisadas de outras séries, mas é algo que se sabe que vai resultar.

Assim, e com este piloto seguro, Covert Affairs promete. Tem tudo para ser uma boa série, para além de ser uma boa diversão. Veremos como se safa na consolidação dos aspectos que mostrou no primeiro episódio.

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2 thoughts on “Covert Affairs – Apresentação

  1. Disseste tudinho. Não consigo acrescentar mais nada. 🙂

    Para mim, CA convenceu-me mesmo muito. De facto, é das melhores séries que por cá tenho no meu computador que estão a ser vistas! 🙂 pegou-me e fiquei mesmo interessado em como tudo se vai desenrolar. 😉

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