Big Love – 3rd Season

God Only Knows What I’d Be Without You

[SPOILERS…mas podem ler até ao final do segundo parágrafo, que está sem eles. E prometo uns sorrisos] O ditado popular já nos diz: quem tudo quer, tudo perde. Ou até que mais vale um pássaro na mão que dois a voar, apesar de os passarinhos a voar até é giro. Se forem 3 pássaros e uma águia fica mesmo giro. Até que aquilo começa a cagar em tudo o que se mexe. Aí é que está o problema.

Big Love teve, durante as duas temporadas aqui já comentadas, uma preocupação: dar-nos um olhar diferente sobre a poligamia, algo que, penso eu dentro da minha mente, pouca gente tem uma relação próxima. E não falo daquela rapaziada que namora com 3 em seguida, seja rapariga ou rapaz. Desses acho que todos conhecemos um, nem que seja por histórias contadas por outra malta. Continuando, Big Love tentou dar uma consistência à vida não em parceiro, mas trioceiro ou uma palavra mais engraçada. Após duas temporadas em que esta vida foi conciliada, com arcos misturados, mas nunca sendo a base da temporada, esta era a temporada de dar o salto. Os pássaros cresceram, a ninhada também. Assim, chegava ao momento da verdade: teríamos de ir tomar banho após uma chuva desnecessária ou os carros ficariam limpos e poderíamos circular neles até bom porto.

No início da temporada os pontos de interrogação eram poucos. Tínhamos Roman preso, tínhamos Bill com alguns problemas, mas nenhum problema que nos fizesse arrancar os cabelos. Este é o primeiro factor que contribui que esta temporada seja a melhor da série. A falta de problemas permitiu que outros surgissem, à mesma velocidade que cresce erva de aninha no quintal de Bill. Este ritmo problemático colocado pela série fez com que, no início, a confusão se instalasse. À medida que foram acertando na medida dos problemas a colocar, a série arrancou. Parece assim que estes 10 episódios foram muito melhor aproveitados que os 12 que constituíam as restantes temporadas. Não havia um problema de personagens, de desconhecimento pelo tema. Por isso o sumo exprimido nestes 10 episódios é muito mais.

A situação Ana é o primeiro problema a enfrentar. Um arco genialmente conduzido, desde a segunda, que culmina nos primeiros episódios. Foi bom ver o namoro contínuo, seguido do problema relacional de Ana. Pois, até agora, apenas tínhamos visto a vida familiar, e não a forma de entrar nesta. Assim Ana surge como uma forma de resolver este problema. Para além disso, o divórcio da europeia permitiu-nos ter o melhor episódio da série, onde se vê claramente o que eu pretendo da série. Mas já lá iremos.

Para além desta narrativa, temos os problemas entre Scott e Sarah, ficando a saber que a segunda está grávida (o primeiro era difícil). Este problema do sexo antes do casamento já foi tratado com Ben, mas neste caso é um problema bem maior. A gravidez é algo que torna o problema ainda maior, levando a mais um problema para a cabeça de Bill.

Adicionando a isto, os problemas de Roman, com o seu julgamento. Tudo junto, e sabendo que Nicki ajuda o seu pai, mesmo sem autorização do marido, adicionando aos problemas de Ben com Margene, após terem-se visto como vieram ao mundo, e com as tropelias dos filhos de Nicki, torna o episódio 3.06 o melhor da série. Porquê?, perguntaram vocês.

Isto porque é, neste episódio, que temos, pela primeira vez, Bill a contestar a sua fé. Foi, para mim, o momento alto da série. Bill, de joelhos, após uma longa caminhada para chegar ao local onde a sua fé foi criada. Por trás temos um anjo a elevar-se. No chão um homem que contesta a sua fé, pergunta-se se Deus o ouve. Sem família, sem ninguém. Pois todos os problemas ficam ali esclarecidos, vemos a fragilidade de um homem que até nesse episódio tinha sido esquecido pela família. E foi nesse episódio que vi a mudança de Bill, tornando-se o mesmo homem com outro olhar sobre a vida. Pois uma caminhada só tem significado quando os pés ficam castigados. E, nesta ida de Bill, não foi só os pés, foi também a alma. Os segredos foram descobertos e libertos. Tudo levado pelo anjo.

Após este magnifico episódio, a série fica com um problema. A maior parte dos problemas ficaram resolvidos e era necessário arranjar novos. Assim a série, após fazer uma primeira parte de temporada excelente, entra em rodopio. Arranja problema atrás de problema, emaranhando-se na confusão das linhas narrativas que cria. O regresso inesperado de Roman é necessário, apesar de achar que a sua ida para a prisão resolvia parte dos problemas que a problemática segunda parte teve. Sem o profeta no caminho, Alby agarraria as rédeas da comunidade e teríamos, aí sim, um confronto entre este e Bill. Assim, Alby ficou para segundo plano, apesar de tentar ser empurrado para primeiro, que já estava preenchido por outros arcos, entre os quais os problemas de Bill. Para além disso, temos Nicki com os problemas conjugais, com a fuga ao marido, para além de que a ajuda ao pai poder custar problemas judiciais a Bill. Esta forma espontânea como a série criou arcos torna-se desnecessária e, claro, um pouco contra natura. E, claro, temos ainda os problemas de Joey, com o assassinato da sua mulher por parte de Roman, as dúvidas de Barb quanto a religião e a tentativa de assassinato por parte de Lois para com o seu marido. Cheirou-me demasiado falso, pois foram demasiados problemas. A série tentou manter o ritmo da primeira parte, ou até subi-lo. E não conseguiu controlar as interrogações que ia pondo as personagens, colocando também questões desnecessárias ao espectador.

O cúmulo foi a situação da carta e, posteriormente, do rapto por parte dos Greene da sobrinha de Barb. Foi demasiado para um homem, e claro, para nós. Foram demasiadas confusões (ainda temos de adicionar a filha de Nicki, que fica para a próxima temporada). A confusão instalada levou a um final confuso, apesar da coerência. Vimos os problemas a ficarem mais ou menos resolvidos, com Alby a ficar preso à mãe, após tentar matá-la, vemos o regresso de Roman a grande casa e vemos o regresso de Nicki à sua casa, trazendo a sua filha.

Mesmo assim, a próxima temporada vai encarar mais problemas que esta. Temos Margene a lançar-se no mundo do trabalho, Sarah com casamento marcado e Joey com sangue nas mãos, após vingar a morte da sua amada. Roman recebe um castigo desmerecido, pois merecia ir sofrer para trás das grades. Alby fica com um ponto de interrogação na cabeça. Mas, mesmo assim, todos os problemas que a série criou fazem que a próxima tenha uma tarefa espinhosa em atingir a qualidade desta. Se tivesse o ritmo inicial já seria muito bom. Se tivesse um episódio como “Come, Ye Saints”, já seria muito bom. Mas as expectativas não são muitas…está muito confuso este amor.

No fundo Big Love, após tentar conquistar o primeiro pássaro até ao 3.06, tentou ir à busca do segundo. Ficou apenas com uma asa, pois o resto voou. E arriscou-se a perder o primeiro. Acho que se tivessem reduzido os problemas, a segunda parte da temporada seria fluída e complementava a primeira. Assim não foi a mesma coisa…nem parecido.

Última nota: A Nicki é a personagem mais complexa, o que permite à Chloë Sevigny roubar a cena. Apesar de brilhante, parte do brilho deve-se à personagem…pois Big Love está muito bem servido em termos de representação.

5 thoughts on “Big Love – 3rd Season

  1. Bem, tanto tenho para dizer após ler a tua análise brilhante à, provavelmente, melhor temporada de Big Love… Concordo que se por um lado, ela foi mesmo brilhante, por outro, sofreu algumas mudanças, não sendo todas muito necessárias.. Mas, foi mesmo muito bom e o melhor, para mim, foram as questões que deixaram em aberto e a possibilidade de mudanças que, garanto-te, irão acontecer :p

    De entre muitas frases engraçadas, a minha preferida é mesmo: “Para além desta narrativa, temos os problemas entre Scott e Sarah, ficando a saber que a segunda está grávida (o primeiro era difícil).” ahah

    E sim, o elenco é mesmo do melhor que já vi e a Chloe teve a ‘sorte’ de interpretar a Nicki, mas os tempos da Margene estão para vir :p

  2. Ótimo review de temporada! Sabe que eu tb adorei aquele ep. em que a família sai naquela viagem? É fantástico, adoro como os problemas começaram a explodir, um atrás do outro… Sarah perde o bebê, descobre-se que Nicki toma anti-concepcional, que Ben está apaixonado por Margene, enquanto Bill segue mais perdido do que nunca, sem saber como guiar sua família… Outro ponto que marcou bastante essa temporada p/ mim foi a morte cruel daquela que seria a segunda esposa de Joey e, claro, a cena histórica de Nicki empurrando seu pai na escada depois do tribunal! Foi mesmo uma temporada e tanto, impossível de superar ao meu ver – a 4ª definitivamente não conseguiu –, apesar desse final realmente confuso. Não curti muito essa storyline do sequestro, no fim fiquei sem entender nada😄

    • Muito obrigado pelo elogio. Quanto ao episódio, é a ponto alto da temporada, pois é onde tudo se junta e concretiza. De resto, acho que esses pontos que focaste foram menos importantes mas, dentro das histórias secundárias. E a quarta é mesmo inferior. Muito inferior…

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