True Blood – 2nd Season

Sangue. Espalhado, como manteiga sobre um pão quente, pelo chão, descoberto sobre os olhos. Sangue. Recoberto e encoberto pelo vermelho, escondido sobre a pele, que de vermelho só tem da Índia. Sangue. A jorrar, como se corresse um rio com fonte externa, rindo-se daquele que morre. Sangue. Azul, vermelho ou até preto…ou até sem o ter. Sangue. Aquilo que junta todos os seres humanos, que os torna comum. Pois todos nascemos do sangue, e todos morreremos sem ele.

É isso mesmo. Todos nós somos formados por sangue, o líquido essencial, a jorrar por veias. Sobe, desce, num movimento pendular, entra e sai do coração, em compassos definidos por números chamados de pulsação. Pum, pum, pum, tiros autênticos contra o cérebro, os pulmões, os rins, até ao dedo mais pequeno dedo do pé, aquele lá longe, que só chegamos com os olhos. Segue o seu caminho. E volta ao início para voltar a servir de tiro.

Tiro que tem de ser de estaca de madeira. Pois, se existe sangue, existe o que se alimenta destes. Os vampiros. Seres mitológicos que povoam o imaginário de qualquer pessoa. Caninos grandes, que crescem e diminuem à luz da vontade. Pele clara, como se não alimentassem de açúcar. True Blood é uma série de vampiros? Claro que é. Mas é muito mais que dois caninos a espetar por um pescoço para ir buscar O positivo.

A série consegue tratar vários temas. O vampirismo é a forma de o tratar, fazendo uma alegoria para o mundo real. Pois, se todos nascemos do sangue, se ele bate pelo corpo, somos todos iguais, no fundo. Assim, e com o vampirismo no fundo, a série reflecte sobre as injustiças da série, com as desigualdades e preconceitos na sociedade.

Para isso, a relação entre os protagonistas torna-se essencial. É o ponto de equilíbrio. A relação impossível entre duas aberrações da sociedade demonstra, para além de uma história de amor impossível, que as desigualdades sociais são uma constante. Sookie é a investigadora de mentes, Bill o vampiro que já passou por muito e aprendeu com isso. Assim, e com um par tão diferenciado, a crítica torna-se assertiva, pois ambos são rejeitados pela sociedade. O exemplo mais prenunciado nesta temporada é a igreja, que contra-ataca os vampiros na sua luta pela igualdade.

Claro que, por vezes, têm razão. Pois True Blood não destrói os humanos e eleva os vampiros. Dá um retrato real do que é a sociedade, onde todas as raças têm as suas ovelhas negras, que por vezes destroem o rebanho. Assim, vemos Eric, o vampiro mais complexo, pois é o elemento mais elevado da “cadeia alimentar” existente neste mundo. Para além disto, vemos vários vampiros, que não são mais que malvados por diversão. True Blood diz que todos nós temos, no fundo, um lado lunar. Que se mostra pela calada da luz branca.

Assim a série torna-se ainda mais interessante de acompanhar. Pois faz-nos reflectir. A arte serve para isso. Reflexão. Fazer-nos pensar. Adicionado a isto tudo, temos uma história fantástica, excelentes personagens e arcos que prendem. A série consegue passar a sua mensagem, de igualdade, e prende as pessoas com as histórias que constrói. Esta segunda temporada foi exemplo disso. A mensagem passou para quem a quis ver. Mas, para aqueles que acompanharam a série pela narrativa, e não pela mensagem intrínseca a essa, também não se deram por mal servidos. Para mim, que vi as duas coisas, soube que nem sangue…

No fundo, se todos somos formados por sangue, e se todos o temos a correr nas veias, é porque, apesar de podemos ser vampiros, lobisomens ou outras outra coisa qualquer, temos os mesmos direitos e deveres dos restantes. E, como todos temos um pouco de esquisitice na alma pois, mesmo aqueles que não a têm, são esquisitos por isso, todos somos um pouco de homens pálidos com caninos grandes à conquista da noite…é só queremos, pois a lua brilhará até quando quisermos.

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2 thoughts on “True Blood – 2nd Season

  1. Que posso dizer de True Blood?

    Da primeira vez que tive contacto com a série, foi no canal MOV (na mesma altura de The Tudors). Epá, o piloto deixou-me assim um pouco chocado mas quando me inseri mais neste mundo das séries vi que aquilo era normalíssimo, especialmente no Cabo.

    Fora isso, não liguei mais, embora quisesse ter acompanhado pelo MOV (contraditório, eu sei).

    Até que a RTP1 decidiu exibir tudinho, desde o início (às tantas) mas a MEO resolveu-me o problema. Vi e cheguei à T2 que, até agora me surpreendeu mais!

    True Blood é uma série diferente para quem quer escapar ao cliché vampiresco que inunda os canais ditos Generalistas. Mais chocado fiquei com o final da T2 a ansiar pela T3 que estreou, brilhantemente.

    Resta-me seguir TB e maravilhar-me a cada episódio que passa.

    PS: Uma amiga minha abomina completamente esta série! A rapariga detesta e diz que eu só gosto dela por causa do sexo (ou implorou-me que o dissesse porque ela não via qual a razão da minha adoração).

    • Eu recuperei-a, pois tinha perdido o interesse no piloto. Mas depois de entrar na série, o mundo de True Blood é muito bom. Quanto à tua amiga, fala-lhe da moralidade que a série demonstra. Para mim é, a par das personagens, a parte mais interessante…pois True Blood não é um filme porno, claramente.

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