Persons Unknown – Apresentação

O drama, o horror, a tragédia…Tudo isto podia estar reunido em Persons Unknown. Podia ser o drama. Sim, esse existe. Mas não é brilhante. Nem perto disso. Podia ser o horror. Sim, também existe. Mas ainda tem menos brilhantismo que o drama. Podia ser a tragédia. Digam lá que não existe? Até existe. Já viram? Mas, se o drama é uma gigante vermelha a morrer, o horror uma anã-branca, a tragédia é claramente um buraco negro.

Persons Unknown não é uma série de verão. Não tem os corpos despidos, que me faz sentir na praia quando estou a estudar para os exames. Não tem drama, que me faz esquecer os corpos despidos que estão na praia. Não tem risadas, que me faz esquecer o drama de não estar na praia com corpos semi-nus (sim…isto já é psicológico. Apesar de eu gostar mais do campo…). É uma típica série de encher chouriços. Para uma altura em que os chouriços começam a subir de preço, pois os porcos parecem querer fazer greve, é uma aposta satisfatória. E pouco daí sai.

Primeiro, o tópico da série é um tema que já foi debatido. Saw e os secundários filmes têm um prisma parecido. Old Boy mistura outra parte. O terror de estar afastado da sociedade por abonos de outros, de não sabermos quem está por de trás do grande irmão, e de termos missões para ir ver para os ecrãs o terror já é algo batido e debatido. Assim, e primeiramente, a série não é nada revolucionária.

O drama começa-se por perder aí. Adiciona-se personagens que de construção deixam um pouco a desejar, e perde-se mais um prisma. Eu critico, mas também nunca conseguiria construir personagens. Mas é aí que reside uma das diferenças entre as grandes séries e as esquecíveis. E Perunk, como algumas pessoas lhe chamou (não gosto…) não consegue prender. A principal é demasiado volátil. O grupo forma-se automaticamente, como a crença humana fosse algo que nascesse à nascença, desculpem a repetição. Este desconfiar, que podia ser aproveitado, é logo retirado. O drama perde, a tragédia também. Falta alguém por um do par “tico e teco” que todos os seres humanos têm, no mínimo, a funcionar. Pois, apesar das dúvidas inicias, o grupo parece confiar logo em todos, como se nada passa-se. Quem te avisa, teu amigo é…como se viu pelo final.

Quanto a tragédia/horror, pois ambos se misturam, o único aspecto que me chamou atenção foi quem eles deixaram para trás. E, mesmo aí, pouco houve. Mais valia terem pegado nas personagens, sem dar um “pseudo-flash” para ver como a personagem principal foi raptada, e, a partir do momento em que foram deixados ao abandono num sítio com montanhas (?), construir o drama, não dando caras. Construindo histórias, verídicas ou não, e fazerem que nos duvidássemos disso. Assim sabemos que a personagem principal não tem nada a ver com isto, apesar de ter a faca na mão. Vamos ver se sabe cortar o queijo.

De resto, a vertente da investigação, e aquela câmara escondida, é algo bem feito. Apesar disso, preferia ver o relacionamento entre o grupo nesta primeira temporada, o drama, as desconfianças, os enganos, a descoberta das personagens e, posteriormente, numa altura mais futura, darem a desvendar, com uma longa analepse, a investigação que existe por fora da micro-cidade. Seria interessante.

No fundo, Persons Unknown tem várias falhas. A série pode dar resultado, apesar de não ser uma coisa que eu adore. É para seguir com calma, com poucas expectativas. Talvez saia algo grande. A probabilidade não é grande, mas que a há, isso há.

8 thoughts on “Persons Unknown – Apresentação

  1. O texto está mesmo muito bom… E aquele parágrafo quase todo dedico a referências à praia, mostra bem o teu estado de espírito :p

    A série em si, agradou-me. É inovadora para mim, pois não vejo filmes como Saw e apesar de algumas coisas não encaixarem muito bem, eu dou o benefício da dúvida.. Afinal, é uma mini-série de verão :b

    E como tal, a mim chega-me🙂

    Parabéns pelo texto

    • Primeiro agradecer o elogio. E aquele parágrafo é isso mesmo. A frustração.

      Quanto à série, eu também não vejo Saw, mas lembra-me o estilo. Mas sim, já que é verão, vamos dar o benefício da dúvida.

      Cumprz

  2. Também não a considero brilhante, e para primeiro episódio falha em muito aspectos. Aquela rápida união e confiança, tentando dar desconfianças falhou redondamente. Num momento tentam matar-se no outro tão a fazer fogo no prédio. Claro que nada seria revelado no primeiro episódio, mas de facto aquilo não me parece que vá longe. Esta ideia de big brother já deu o que tinha a dar. Irei ver mais alguns, mas sem expectativas nenhumas.

  3. Fiquei convencido com os dois episódios que vi (é certo que fiquei com a sobrancelha arqueada com aquela súbita mudança de inimigos para amigos, mas pronto).

    Estou como vós: Persons Unknown cativou-me porque eu gosto destas séries em que tudo começa no mais ínfimo mistério e depois converge para algo explosivo. Estive expectante quando vi Harper’s Island mas o final deixou-me estupidamente à espera de mais. Não estou com grandes expectativas para PU, embora goste. Mas não me quero desiludir como me desiludi com a CBS.

    Vamos ver, MESMO, como a história se desenrola e só peço uma coisa: um final digno e decente, por favor!

    (estou a assustar-me com vocês… vocês não gostam destas séries novas e eu gosto… estarei a perder o gosto?)

    • Persons é uma série para ver, não pensar. Pois se fazes isso notas erros clamorosos (o Tiago Duarte deu conta de um no outro dia que é muito mau…). Mas acho que vamos um final, pois é mini-série. Quanto ao mau gosto, eu já defendi que não o há…gostos não se discutem, só se argumentam.

  4. Eu gostei do que vi. A série desde que li algo sobre ela que me entusiasma, tem algo que gosto, mistério, drama psicológico, mas veremos no que dará se não começam a fazer muitos perguntas sem dar alguma resposta.

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