Big Love – 1st Season

[FREE SPOILERS] Amor. Que sentimento mais humano, mais difícil de exprimir mas mais fácil de perceber? Pois todos, até Dexter, já passou por isso. E todos, mesmo todos (sim, até o Manel da esquina de cima, que o de baixo já faleceu) já sofreram por este. Nem que seja uma canelada bem dada, quando um beijo saiu um pouco errado. Dizem que, com a primavera, o amor anda no ar. Para mim são as alergias, mas também pode ser amor pelas alergias…a felicidade pode ser demonstrada de várias formas. Até de espirros. Parvoíce à parte, até Marco Paulo tem 2 amores. Será o Marco? O Tony não é, o Toy também não…apesar de…fiquemos por aqui. Sim, é o Marco. Assim percebemos que, se é possível ter-se dois amores, uns quantos mais também.

Big Love retrata isso. O amor. Podem dizer que são três amores. Não concordo. Bill Henrickson tem bem mais que três amores. Tem os filhos, tem a mãe, tem o irmão. E, por último, mas talvez os pilares, as mulheres. Sim, leram bem. Mulheres. Com “es” no final.

Numa sociedade cada vez mais monogâmica, ou melhor, numa sociedade principalmente monogâmica, que o é desde o princípio dos tempos que a memória permite revisitar, existem sempre mentalidades diferentes. Existe inovação, uma luta. Big Love conta essa história. De uma família poligâmica, com um pai de família e três mães. Uma situação nada usual, que parece esconder-se nesta sociedade. Pois se as leis humanas ainda não estão de acordo com estas leis dividas para algumas pessoas, isto não quer dizer que não existam. Big Love conta a história Henrickson, tendo Bill como o chefe da família, Barb, que também Henrickson é, devido a ser primeira mulher, que é a mãe perfeita e que consegue ser o trapezista nesta vida sem rede. As outras cônjuges de Bill chamam-se Nicolette Grant e Margene Heffman. A primeira provem de uma família com tradição, digamos assim, neste tipo de casamento. A segunda é exterior, caindo neste mundo de pára-quedas. Cada uma com os seus filhos, cada uma com os seus problemas, cada uma com as suas manias. Big Love é, no fundo, o conto de uma família.

A diferença é que, dentro do mundo geral, não temos de ter estas preocupações. Bill e as suas companheiras têm de ter o cuidado de não serem descobertas, devido ao perigo que isto terá. Enquanto isso, e enquanto é o trapezista nas máscaras, tem de andar a brincar aos namorados. Uma noite aqui, outra ali, outra mais ao lado. Claro que a insatisfação dentro da família é uma constante. Não há um momento feliz, onde toda a gente demonstra um sorriso. Pois, apesar dos esforços de Bill, uma família poligâmica não está formatada para a nossa sociedade. A sociedade está totalmente virada para o monogâmico, para 1+1=1 ou 2 ou, cada vez mais raro, 3. Com Bill a equação é totalmente diferente. É 1+3=7. Assim, e para que tudo funcione as cem maravilhas, a família tem de ter uma união fragmentada.

União esta porque só assim resolverá os problemas. O trabalho do pai da família dá algum dinheiro, bastante até, mas não repõem vícios, manias, birras. Esse é o primeiro problema. Se numa família normal tem de haver sacrifícios, numa família deste tipo os sacrifícios triplicam. Claro que, sendo as mulheres tão distintas, esta integração mostra-se difícil. É outra luta que vemos na temporada: da integração. Quanto a fragmentação, isto tem a ver com o mundo exterior. Tem de se funcionar de modo diferente, cada uma tem de cortar as cordas com as outras. A ligação das casas é interior, o exterior são três casas separadas. É isto que se torna difícil. Modificar as relações, não as mudando.

Se isto não bastasse para o drama, se o relacionamento não bastassem, os vícios não chegassem, adicionado aos problemas laborais de Bill e de Barb, que dão o sustento das famílias, e até os filhos, com o crescimento deste e a entrada na adolescência de alguns, o crescimento e a entrada na idade dos porquês dos outros e ainda a mitose e a entrada na idade do gua-gua-gua (imagem um bebé a falar…não estou grande coisa para onomatopeias), se isto não bastasse para a carga dramática ser elevada, existe o arco da temporada.

O confronto entre a família rural, que se mostra ao mundo sem pudor, e a família urbana, de Bill, que se esconde. Um jogo de xadrez complexo, onde as peças não são peões, mas existem bastantes rainhas no meio. E uma delas que é cinzenta: Nicki, de nome Grant, partilhando o nome com o chefe da igreja. O profeta que faz a vida negra a Bill. Adicionado a todos os problemas, a vida de Bill é uma autêntica manta de retalhos. E alguns fios a saírem…

Big Love não é uma série de entrar. É daquelas realidades que nunca se pensa existir. Mas, devido ao choque, torna-se uma série bela. Um outro olhar sobre a família. Uma família dramática, num mundo dramático. Uma série fantástica, pesada mas brilhante. Pois, se o amor movimenta montanhas, o amor de Bill é capaz de movimentar uma cordilheira inteira…

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6 thoughts on “Big Love – 1st Season

  1. Nossa, com certeza, não é fácil entrar no universo de Big Love! No começo estranhei não apenas as regras que norteiam a família, mas também a bagunça que é a Juniper Creek. São tantas esposas, tantos filhos, tantos personagens que só na segunda temporada comecei a entender direito quem era quem…

    Sobre as esposas, é engraçado pois no começo é fácil admirar a Barb, porque é quem realmente mantém a casa de pé! Nicki é sempre encrenqueira e Margene parece ingênua demais. Mas com o tempo (pelo menos comigo foi assim), cresceu a minha admiração pela Nicki, que é a personagem mais complexa de toda a série! Sério, nunca vi pessoa mais ferrada. E, na última temporada, passei a gostar muito da Margene, já na terceira temporada ela ganha o nosso respeito. Adoro ela! =D

    Quando ao Bill, na primeira temporada até que não tinha muita raiva dele, mas depois, nas outras, não tem como, aos poucos a gente vai percebendo como ele é um grande canalha machista e não tem como admirar quase nada nele. Eu pelo menos detesto o personagem!

    Agora vou esperar seus comentários sobre a segunda temporada! =D

    • Isso mesmo. A quantidade enorme de personagens é o que torna a série em algo difícil de entrar. E os jogos de poder não ajudam.

      Já em relação às esposas, eu adoro a Margene, acho que ela é a personagem mais bela da série. A Nikki é a mais complexa, sim, a Barb é talvez mais complexa do que a Margene, mas é aí que eu gosto dela, como tu.

      O Bill vem mudando. Mas continuo a notar um carinho especial pelos filhos, e o tratamento das mulheres acho o necessário. Pois, se agrada-se a uma, as outras tinham queixas. Acho que é a sua forma de corrigir isso.

      E talvez hoje saia o comentário à segunda temporada.

  2. Um olhar bonito sobre uma série, também ela, bela.

    Ao contrário de quase todas as séries, esta dá-nos novas informações, novas realidades e ensina-nos imenso. Apesar de alguns costumes e regras serem bem retrógradas e machistas, conseguiram a minha admiração.

    E assim como a Marcia, aos poucos vamos aprendendo a amar cada uma das esposas. Quanto ao Bill não sou tão radical quanto ela mas ainda não vi tudo portanto :p

    Muitos parabéns 🙂

    • A informação sobre a série, aquilo que ela traz, os ensinamentos que dá, torna-a diferente. Mas, mesmo assim, todas as séries da HBO têm esse prisma. E Big Love é uma série bem notória nisso.

      Quanto à impressão do Bill, também não sou tão radical como a Marcia. Mas veremos o que ele tem para dar.

      Cumprz

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